— O herdeiro novo tem rosto, nome e histórico — anunciou, sem enrolação, sentando-se na beira da cama. — E, pelo que vimos hoje, tem mais gente falando por ele do que ele falando por si mesmo.
Ela o escutou com atenção enquanto ele resumia o dossiê, sem esconder nada: a vida simples até pouco tempo, a virada de dinheiro entrando, o envolvimento de escritórios ligados a Arturo, a narrativa que estavam construindo em torno da ideia de “filho ignorado buscando justiça”.
— Ele parece odiar você? — perguntou, quando ele terminou.
— Ele parece querer um lugar que disseram que era dele por direito — respondeu Rafael. — E isso é bem diferente. Quem odeia de verdade são os que colocam esse lugar como faca apontada para mim.
Camila recostou-se mais nos travesseiros, encarando-o com uma maturidade que não tinha espaço para cena de ciúme infantil.
— Eu não tenho medo desse rapaz como homem — disse. — Não é como se você estivesse dividido entre duas famílias, duas mulheres, dois futuros. O que me