Camila passou o resto da noite presa ao próprio corpo, como se todas as terminações nervosas estivessem ligadas à lembrança da boca de Rafael a poucos milímetros da dela, e a respiração dele ainda estivesse presa na pele da sua nuca. Tentou se convencer de que tudo aquilo era apenas manipulação psicológica, tentou repetir mentalmente que ele tinha interesse apenas na investigação, que a proximidade era tática, que o olhar dele não significava nada. Mas bastava fechar os olhos para lembrar da forma como ele havia dito que ela o distraía, e a lembrança aquecia lugares que ela desejava manter completamente fora do alcance dele.
Dormiu mal.
Acordou com o corpo cansado, como se tivesse corrido a noite inteira atrás de algo que não queria conquistar.
E, ainda assim, quando entrou no pátio da Hacienda, soube imediatamente que Rafael estava ali. Sentiu antes de ver. O ar mudou. A temperatura pareceu vibrar. Os trabalhadores que passavam por ele faziam aquele gesto rápido de respeito, quase re