Nicolás apareceu na porta com a expressão de quem trazia notícia que não podia esperar, mas que preferia muito não dar. Bateu duas vezes, aguardou o assentimento de Ingrid e entrou no quarto, onde Camila estava recostada na cama com um livro aberto e a televisão ligada num canal qualquer que ela não acompanhava de verdade. Rafael, sentado numa poltrona ao lado, revisava algo no tablet, mas ergueu o rosto assim que viu o amigo.
— Fala — pediu, já lendo urgência demais na forma como ele segurava o celular.
— O investidor de Monterrey confirmou que só fecha a rodada se tiver um jantar “íntimo e discreto” hoje à noite, em Guadalajara — explicou Nicolás, indo direto ao ponto. — Ele quer você na mesa, Rafael. E, pelo visto, quer a Luna conduzindo o encontro.
Rafael sustentou o olhar dele por alguns segundos, depois soltou um suspiro curto, mais irritado do que surpreso.
— Claro que quer a Luna — murmurou. — Ela é especialista em vender a versão de que a família Villalba é um quadro harmonio