Camila acordou naquele dia com uma inquietação que não tinha relação direta com dor, pressão ou enjoo. Era uma impaciência silenciosa, um incômodo que começava na mente e descia pelo corpo inteiro, como se estivesse parada há semanas na mesma posição e, de repente, tivesse percebido que o resto do mundo continuava girando sem ela.
Ingrid entrou no quarto com a bandeja do café, pousou-a na cômoda e levou menos de dois segundos para entender que o humor não era dos mais dóceis.
— Você não dormiu bem.
Não era pergunta.
— Dormi. Só acordei de saco cheio — Camila respondeu, sentando devagar na cama e ajeitando o travesseiro na lombar. — Chega uma hora em que ficar deitada passa de cuidado para tortura.
Ingrid se aproximou, ajeitou a bandeja sobre o colo dela com a calma de quem lidava com rebeldia desde antes de aprender a fritar ovo.
— A médica falou em repouso, não em prisão domiciliar — disse. — Podemos negociar algumas voltas pelo corredor, uma ida até a varanda, esse tipo de coisa. Vo