O jantar naquela noite tinha sido menos formal do que qualquer reunião de conselho, mas ainda assim carregava a mesma energia de estratégia. A mesa da sala principal estava posta só para três, com pratos simples, comida que lembrava mais casa do que império, e, ainda assim, Camila percebia que cada gesto de Rafael, cada pergunta de Ingrid, cada comentário sobre o dia eram, no fundo, formas diferentes de medir o estado dela e do bebê, como se os dois precisassem de confirmação constante de que a guerra lá fora não tinha atravessado a porta principal.
Depois que Ingrid subiu para o quarto de hóspedes, alegando cansaço, Rafael insistiu para que Camila ficasse mais alguns minutos com ele na varanda lateral, a preferida dele para fumar um charuto ocasional ou revisar relatórios longe do barulho do corpo da casa. O ar estava quente, com aquela temperatura pesada de fim de dia no Vale, e o céu já começava a juntar pontos de luz sobre o desenho dos agaves ao longe.
— Se você quiser ir deitar,