Capitulo 8

Miguel estava comendo. Ele estava sentado na beirada da cama, enquanto uma das criadas cantava baixinho para entretê-lo. Havia um bicho de pelúcia ao seu lado, mas o menino era tão pequeno e magro que parecia menor do que o próprio brinquedo.

Alison Mashini entrou primeiro no quarto. A funcionária interrompeu a cantiga, levantou-se e cumprimentou: "Senhor."

Ele se aproximou, olhou para o conteúdo da tigela e perguntou: "Ele não comeu muito?"

A criada explicou: "O jovem está sem apetite. Não nos atrevemos a alimentá-lo muito rápido, com medo de que ele acabe vomitando tudo de novo."

Alison estendeu a mão para pegar o recipiente. "Deixe que eu faço isso."

Ele se sentou ao lado do filho. "Miguel."

O menino não respondeu; seus olhinhos permaneceram fixos em Anita Fontes, que aguardava um pouco mais atrás.

Alison virou-se para Anita e, após um breve instante de reflexão, sugeriu: "Por que você não o alimenta?"

"Eu?" Anita sobressaltou-se, pega de surpresa.

Ela não fazia ideia de como cuidar de um bebê, mas dar comida na boca não parecia ser a tarefa mais complexa do mundo.

Ela adiantou-se e pegou a tigela. "Tudo bem."

Como nunca havia alimentado uma criança antes e não tinha experiência, ela simplesmente encheu a colher e a levou até os lábios do menino. Miguel, fosse por um certo receio dela ou por pura obediência, abriu a boca sem protestar e engoliu o alimento.

Antes mesmo que ela pudesse dar a terceira colherada, outra criada entrou no quarto e avisou que a matriarca solicitava a presença urgente de Alison lá embaixo.

Alison murmurou uma confirmação, virou-se para Anita e disse: "Eu volto num instante."

Assim que a porta se fechou e ele saiu, Miguel quebrou o silêncio de forma abrupta: "Você é a minha mãe, não é?"

A mão de Anita tremeu violentamente. A colher bateu contra a borda da tigela de porcelana, produzindo um som seco e estridulo.

Miguel a encarou com seus olhos grandes e profundos. "Eu ouvi os adultos conversando escondidos. Eles disseram que você é a minha mãe, que veio para me salvar e que eu só vou conseguir viver se você ficar aqui."

Anita Fontes franziu os lábios, momentaneamente sem voz. Um nó doloroso apertou sua garganta, tomado pela culpa avassaladora que sentia em relação àquela criança.

Quatro anos atrás, quando permitiu que o levassem embora, ela havia tomado a firme decisão de nunca mais cruzar o caminho dele nesta vida. Se ele tivesse crescido saudável e feliz, seus destinos jamais teriam se conectado novamente.

Miguel insistiu, com uma ponta de esperança na voz frágil: "Você vai me salvar, não vai?"

Anita olhou para a tigela em suas mãos e assentiu com um murmúrio baixo. "Vou. Sim... não se preocupe, você vai ficar bem."

Um sorrisinho surgiu no rosto pálido de Miguel e, a partir dali, ele continuou aceitando cada colherada que ela lhe oferecia, de forma extremamente obediente.

Terminada a refeição, Anita se levantou com o intuito de colocar a tigela vazia sobre a mesa de cabeceira. No entanto, mal ela ficou de pé, um som de ânsia cortou o ar. Miguel virou o corpo rapidamente e inclinou-se para fora da cama, vomitando toda a comida que acabara de ingerir.

O susto foi tão grande que Anita acabou deixando a tigela escapar de suas mãos, estraçalhando-se no chão.

Ela amparou o menino às pressas, tomada pelo pânico: "Miguel! Miguel, você está bem?"

Como as empregadas aguardavam de prontidão no corredor, bastou Anita chamar duas vezes para que elas entrassem correndo. Aquela estava longe de ser a primeira vez que a cena acontecia. Embora estivesse visivelmente aflita pelo sofrimento do menino, a funcionária agiu com rapidez e eficiência: trouxe uma lixeira, começou a dar tapinhas leves e rítmicos nas costas dele para aliviar o esforço do vômito e, em seguida, usou a água do banheiro privativo para higienizar o rostinho do pequeno.

Sem saber o que fazer e sentindo-se completamente inútil ali no meio, Anita só pôde se afastar um pouco, assistindo a tudo com o coração apertado de preocupação.

Alison retornou ao quarto logo em seguida. Ele cruzou o ambiente a passos largos e tomou o filho nos braços com firmeza. Sem demonstrar o menor incômodo com o fato de o pijama do menino estar sujo, ele o aninhou contra o peito, massageando suas costas. "Onde está doendo, meu amor? Onde está o desconforto?"

Miguel exibia uma palidez assustadora. Ele balançou a cabecinha e respondeu com a voz sumida e rouca: "Está tudo bem, papai."

Alison encostou os lábios com ternura na testa do filho, com o semblante carregado de uma angústia nítida. "Se você não estiver se sentindo bem, precisa me dizer."

"Não...", Miguel passou os bracinhos ao redor do pescoço do pai, apegando-se a ele. "Eu não estou sentindo nada."

Passado o pior momento, Alison acomodou Miguel de volta no colchão e providenciou uma troca de roupas limpas. Crianças doentes têm pouca energia; após o desgaste de vomitar tudo o que estava no estômago, o menino parecia apático e sem forças, deitando-se sem a menor vivacidade.

A criada avisou que desceria até a cozinha para preparar um caldo leve, explicando que precisariam tentar alimentá-lo mais tarde, já que ele não podia passar a noite de estômago totalmente vazio. Alison assentiu. "Pode ir."

Assim que a funcionária se retirou, Alison permaneceu mais alguns instantes em silêncio ao lado do berço. Então, ele se levantou, despiu o paletó que havia sido manchado, atirou-o sobre uma poltrona e caminhou em direção à saída, ordenando friamente para Anita: "Venha comigo."

Já no corredor deserto, o rosto de Alison Mashini estava assustadoramente sombrio e rígido. "Você o alimentou rápido demais?"

Anita hesitou por um breve segundo, recapitulando a cena mentalmente. "Acho... acho que sim."

Ela simplesmente não havia compreendido a gravidade da situação; na sua cabeça, como já estava ficando tarde, imaginou que o melhor seria fazer o menino terminar a refeição o quanto antes para que pudesse descansar.

Alison cravou um olhar cortante e severo nela. "A saúde dele é extremamente frágil, Anita. Tudo com ele precisa ser feito com o máximo de calma e cautela. Você não tem o mínimo de paciência para lidar com o seu próprio filho?"

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App