Já tinha mais de um ano que eu não voltava à casa dos meus pais. Desde aquele almoço pré-casamento falso, quando minha mãe deixou claro, que eu era a filha que sobrava.
Estou parada na frente da porta azul descascada, a mesma de sempre. A mão levantada, mas sem coragem de bater.
Porque eu sei que, assim que entrar, meu pai não vai estar sentado na poltrona de couro marrom, com o jornal aberto na página de esportes e o copo de café esfriando na mesinha. Ele não vai levantar a cabeça, sorrir aq