Mundo ficciónIniciar sesiónPOV Francisca
Claro que eu tinha bebido antes de pegar o cartão. Não o suficiente para perder o controle, mas o bastante para atravessar uma linha que, sóbria, eu respeitaria.
Respirei fundo, sentindo uma leveza estranha no corpo, incompatível com o turbilhão na minha cabeça. Só Abigail e Heloísa mesmo para me empurrarem para uma situação como aquela… e, de alguma forma, me fazerem acreditar que fazia sentido.
Assim que a porta do elevador se abriu no meu andar, tentei parecer segura, ignorando o tremor que percorria meu corpo.
Claro que minha autoconfiança não durou muito. Eu até podia ter me tornado mais segura com o tempo, mas o azar era algo que eu já tinha desistido de afastar.
Confirmando minha condição de desastrada e azarada, o cartão caiu no vão da porta do elevador.
Eu já estava ali. Não iria desistir. Se raciocinasse demais, iria embora. E não queria ter lapsos de juízo naquele momento. A ética eu já tinha deixado para trás quando assinei um contrato de casamento com um estranho, três anos antes, em troca de dinheiro.
Passei esse tempo me remoendo em culpa e raiva. Talvez eu realmente merecesse um presente de divórcio: uma noite em que o único foco fosse o meu prazer. E meu vibrador certamente agradeceria o descanso.
Hesitei ao encarar o número dourado na porta: 169.
— Você estudou em Harvard — murmurei para mim mesma. — Acho que consegue entrar em um quarto de hotel sem agir como se estivesse indo para a cadeira elétrica.
Bati levemente, e a porta se abriu quase de imediato. Observei o pequeno vão e aceitei que não havia mais volta.
A suíte era gigantesca, mas mal consegui notar. Meus olhos se fixaram em uma única coisa: o homem praticamente nu na cama, confortável demais com a situação.
Fiquei parada, analisando e sendo analisada com a mesma atenção.
Me aproximei alguns passos, o coração batendo em descompasso. A meia-luz do quarto me deixou um pouco mais à vontade.
Os olhos dele eram claros, mas não soube dizer se azuis ou verdes. Não era só lindo. Era um convite ao pecado.
— Você demorou — ele disse.
A voz era calma, firme, profissional. Me senti mais à vontade com aquela simples frase. Ele estava ali para trabalhar. E, naquelas circunstâncias, para ele, tempo era dinheiro.
— Tive um pequeno… problema logístico — respondi, tentando manter a postura enquanto meu coração acelerava.
Meus olhos desceram pelo corpo dele, absorvendo detalhes impossíveis de ignorar. Ele era bonito demais para ser real. E, claro, um homem daqueles jamais se interessaria por mim se não estivesse sendo pago.
Tinha postura, uma presença que se impunha naturalmente. Tive certeza de que valeria cada centavo investido pelas minhas amigas.
Caralho, que físico! Eu não costumava falar palavrões, mas, naquele momento, não cabia outra palavra: ca-ra-lho. Nem nos meus melhores sonhos imaginei tocar um abdômen daqueles.
O silêncio era quase constrangedor. Decidi quebrá-lo:
— Isso está mais estranho do que eu imaginei.
— Geralmente melhora quando as pessoas param de conversar e começam a tirar a roupa — ele disse, com um meio sorriso que estremeceu até a minha alma.
E agora? Eu tirava a roupa sozinha ou esperava que ele arrancasse?
Dentre todas as opções, eu só tinha uma certeza: a blusa ficaria. Não passou pela minha cabeça expor minhas cicatrizes para aquele estranho.
A vergonha estava tatuada não só no meu corpo, mas na minha alma. Marcas de um passado que eu nunca conseguiria apagar.
— Você faz isso há muito tempo? — perguntei, cruzando os braços para esconder o nervosismo.
Ele demorou um pouco a responder:
— Não. Mas a situação, em si, é propícia.
Assenti, sem exigir mais explicações.
Ele se levantou com tranquilidade, dando alguns passos na minha direção, a distância quase se anulando entre nós.
— O tempo está correndo — disse, com naturalidade. — Acho melhor usarmos bem.
Ele não estava errado. Aquilo era um negócio, um pagamento antecipado por um serviço prestado.
Deliciei-me com a visão do corpo dele novamente, agora sem tentar disfarçar:
— Você sabe… da minha condição? — perguntei.
— Sei.
Falou direto, sem constrangimento. Certamente já tinha desvirginado outras mulheres.
Eu conseguia sentir a respiração morna dele a centímetros, o calor do seu corpo me envolvendo, fazendo com que eu suasse levemente.
Meus olhos desceram para sua região íntima, notando o volume entre suas pernas, pulsando sob a cueca.
Corei, óbvio. Eu tinha zero experiência com um homem real. Meu caso sólido e fiel era com o meu vibrador. E, sem dúvida, aquilo que ele carregava no meio das pernas era bem maior que o meu golfinho.
— Você está me olhando como se estivesse analisando um experimento científico — ele sorriu.
E não era?
— Estou avaliando custo-benefício — fui sincera.
— E qual o veredito?
— Promissor. Mas ainda em fase de testes. — ri.
Ele riu, o que o fez ficar ainda mais perfeito:
— Você fala bastante — constatou.
— Estou tentando não surtar — respondi, de forma espontânea.
Ele pousou um dedo entre os meus seios, sobre a roupa, deslizando lentamente até o meu ventre.
— Você está tremendo — observou.
— Estou tentando entender se isso é excitação ou arrependimento.
Ele sorriu, agora zerando a distância, nossos corpos, enfim, colidindo:
— Espero que seja excitação. Meu orgulho ficaria ferido.
Aquilo fez minhas pernas ficarem ainda mais bambas. Ele era lindo em todos os sentidos: rosto, corpo… perfeito em cada detalhe.
Eu esperava qualquer coisa, menos que ele pegasse minha mão e a levasse ao seu peito. Controlando meu pulso, deslizou meus dedos pelo abdômen até a pelve. Meu pulso roçou involuntariamente sua ereção.
Impossível não admitir seu profissionalismo. Aos poucos, eu estava perdendo a timidez.
Liguei o foda-se. Ele estava sendo pago para me satisfazer.
Pus a mão dentro da cueca dele e envolvi seu pau entre os dedos. O primeiro contato foi leve, exploratório, cauteloso. Mas meu corpo reagiu rápido, como se ele me dominasse por completo.
— Não quero que pense que... isso tudo significa alguma coisa para mim.
Eu não queria expor meu pensamento, mas saiu. Era mais para me convencer.
— Fique tranquila — ele riu, apertando minha bunda, fazendo-me dar um sobressalto — aposto que o contrato não inclui envolvimento emocional.
— Por mais que isso seja... bom, espero nunca mais te ver depois de hoje.
Tentei deixar claro que não iria me apaixonar.
— Normalmente eu também sempre esperei isso das minhas noites casuais.
Por que aquela frase me afetou mais do que deveria? Eu já tinha ficado com outros homens, mas nunca de forma tão íntima, tão carregada de desejo.
— Posso te beijar? — perguntei, antes de pensar melhor.
Mesmo eu sabendo que homens como ele procuravam não ter aquele tipo de intimidade, seria um pecado não sentir o gosto da sua boca.
Ele arqueou levemente a sobrancelha:
— Achei que pessoas como você não fizessem isso.
— Ah... eu... não tenho nojo.
Eu sabia que ele certamente fazia com outras mulheres coisas bem mais nojentas do que beijar na boca. Mas preferi acreditar que eu era a única.
— Eu também não tenho problema com isso — respondeu.
Ele tentou levantar minha blusa, mas o impedi:
— Pode tirar tudo, menos a blusa.
Era a única coisa que eu não negociaria.
— Isso é... uma brincadeira? — sussurrou no meu ouvido.
— Na verdade, é a única regra da noite — puxei-o pela cintura, deslizando a cueca, sentindo seu pau pressionar contra minha barriga.
Por que ele era tão alto?
— Respeitarei a única regra — ele concordou — quanto ao resto... farei valer cada centavo.
— O valor pago... foi pela noite toda? — perguntei, deixando que ele deslizasse a mão dentro da minha calça.
— Claro! Meus amigos sabem que não gosto de nada pela metade.
Achei que ele quis se referir às minhas amigas. Mas, com seus dedos explorando meu corpo, eu já não conseguia pensar direito.
A porta bateu, trancando. E, naquele momento, qualquer tentativa de manter controle ou lógica deixou de fazer sentido.
O mais engraçado naquilo tudo é que ele falou sobre metade. Enquanto eu, pela primeira vez na vida, me senti inteira.







