Mundo de ficçãoIniciar sessãoO silêncio dentro da sala presidencial era sufocante.
Nicolas permanecia imóvel diante da enorme janela de vidro. O telefone ainda estava em sua mão. A ligação com Eduardo havia terminado há poucos segundos. Mas uma única frase continuava ecoando em sua mente. "Ricardo Monteiro levou a Maya." Seu maxilar se contraiu. Pela primeira vez em muitos anos... Sentiu algo que havia esquecido como era. Medo. Não por si. Por ela. A porta da sala se abriu sem que alguém anunciasse a entrada. Lorenzo entrou acompanhado de três homens vestidos de preto. Todos ex-militares. Especialistas em inteligência e localização. — Já mobilizei minha equipe. Nicolas virou-se. Os olhos frios escondiam uma tempestade. — Quero Maya encontrada antes que anoiteça. Lorenzo assentiu. — Ela será. Um dos homens abriu um notebook sobre a mesa. Em poucos segundos, mapas da cidade apareceram na tela. Outro começou a conectar câmeras de trânsito. Um terceiro fazia ligações para equipes espalhadas pela região. A sala presidencial havia deixado de ser um escritório. Transformara-se em um centro de operações. ... Eduardo entrou apressado. — Senhor Beaumont. Encontramos o carro. Todos voltaram os olhos para ele. — Onde? — Uma câmera registrou Ricardo saindo do bairro da Maya às oito horas e dezoito minutos. Depois disso, ele seguiu pela rodovia norte. O analista ampliou a imagem. O carro aparecia nitidamente. Nicolas aproximou-se. — Continuem. Outra câmera surgiu. Depois outra. Até que... O veículo desapareceu completamente. O especialista balançou a cabeça. — Ele saiu da rota monitorada. Provavelmente entrou em alguma estrada rural. O silêncio voltou a dominar a sala. Lorenzo cruzou os braços. — Esse homem planejou tudo. Nicolas não respondeu. Continuava olhando para a tela. Pensando. De repente... Uma lembrança surgiu. — Hospital. Todos olharam para ele. — Procurem imóveis. Casas. Chácaras. Qualquer propriedade registrada em nome dele ou de familiares. Lorenzo sorriu discretamente. Era exatamente por isso que Nicolas era considerado um gênio. Pensava diferente. — Façam isso agora. Os analistas voltaram imediatamente ao trabalho. ... Enquanto isso... A quilômetros dali... Maya abriu lentamente os olhos. Sua cabeça latejava. A visão estava embaçada. Tentou levantar. Não conseguiu. Piscou algumas vezes. Olhou ao redor. O quarto era simples. Uma cama. Uma janela fechada. Uma porta de madeira. Nenhum outro móvel. Ela respirou fundo. — O que... Tentou lembrar. O carro. Ricardo. Depois... Nada. Seu coração acelerou. Levantou-se rapidamente. Correu até a porta. Girou a maçaneta. Trancada. Bateu com força. — Doutor Ricardo! Ninguém respondeu. — Tem alguém aí? Silêncio. Um silêncio absoluto. Ela deu um passo para trás. Pela primeira vez... O medo tomou conta do seu coração. ... Do lado de fora da casa... Ricardo observava a porta pelo monitor de segurança. Sorriu. — Agora ninguém vai tirar você de mim. ... Na Beaumont Holding... Um dos analistas levantou-se de repente. — Senhor Beaumont! Todos voltaram-se para ele. — Encontramos. Nicolas aproximou-se imediatamente. Na tela aparecia uma propriedade rural. Isolada. Registrada anos antes no nome do pai de Ricardo. Atualmente utilizada apenas para lazer. Eduardo olhou para Nicolas. — Pode ser lá. Lorenzo já pegava as chaves do carro. — Vamos. Nicolas caminhou em direção à porta. Seu rosto havia perdido qualquer expressão. Restava apenas determinação. Ao colocar a mão na maçaneta... Parou por um segundo. Fechou os olhos. E fez uma promessa silenciosa. "Aguente firme, Maya." "Eu vou encontrar você." Mesmo que precisasse destruir tudo em seu caminho.






