Mundo de ficçãoIniciar sessãoA segunda-feira começou como qualquer outra na Beaumont Holding.
Ou pelo menos... Era o que Nicolas acreditava. Pontualmente às sete e quarenta e cinco, as portas do elevador privativo se abriram. Ele atravessou o corredor da presidência com o mesmo passo firme de sempre. Mas, antes mesmo de entrar em sua sala... Algo chamou sua atenção. A mesa da assistente estava vazia. Franziu discretamente a testa. Olhou para o relógio. Sete e quarenta e sete. Ela ainda tinha alguns minutos. Sem dizer nada, entrou em sua sala. ... Oito horas. Nada. Oito e quinze. Continuava vazia. Oito e meia. Nenhum sinal de Maya. Nicolas tentou convencer a si mesmo de que havia acontecido algum imprevisto. Talvez trânsito. Talvez o ônibus. Talvez... Às nove e dez. Ele já não conseguia mais ignorar o incômodo. Pegou o telefone. — Patrícia, pode vir até minha sala? — Claro, senhor Beaumont. Menos de um minuto depois, Patrícia entrou. — O senhor chamou? Nicolas permaneceu alguns segundos olhando para a mesa. Depois perguntou, tentando manter o tom neutro. — Maya entrou em contato com você? Patrícia franziu a testa. — Não, senhor. — Avisou que chegaria atrasada? — Também não. O silêncio tomou conta da sala. Patrícia conhecia Maya havia poucos meses. Mas sorriu de leve. — Senhor... Se me permite... Maya jamais faltaria ao trabalho sem avisar. Nicolas ergueu os olhos. — Tem tanta certeza assim? Ela assentiu. — Ela viria trabalhar até com pneumonia. Se precisasse, chegaria se arrastando. Mas avisaria. Ela não desapareceria desse jeito. As palavras fizeram um aperto estranho surgir no peito de Nicolas. Algo estava errado. Muito errado. Ele pegou imediatamente o telefone interno. — Peça para o chefe da segurança vir à minha sala. Agora. ... Poucos minutos depois... Eduardo Moreira, chefe da segurança da Beaumont Holding, entrou na sala. — Senhor Beaumont. — Quero que vá imediatamente ao endereço da Maya Fernandes. Verifique se ela está em casa. Se aconteceu alguma coisa. Eduardo assentiu. — Sim, senhor. Patrícia deu um passo à frente. — Senhor Beaumont... Posso ir com eles? Nicolas voltou-se para ela. — Por quê? — Gabriel me conhece. Se eu aparecer com a equipe de segurança, talvez ele não se assuste. Nicolas pensou por um instante. Depois assentiu. — Vá. E me mantenham informado a cada minuto. — Sim, senhor. ... Menos de quarenta minutos depois... O carro da segurança parava diante do pequeno prédio onde Maya morava. Patrícia desceu primeiro. Tocou a campainha. Poucos segundos depois... Gabriel abriu a porta. Sorriu ao vê-la. — Oi, Patrícia. Mas o sorriso desapareceu quando percebeu os seguranças atrás dela. — Aconteceu alguma coisa? Patrícia tentou manter a calma. — Gabriel... A Maya já saiu para o trabalho? Ele franziu a testa. — Ué... Faz mais de duas horas. Ela saiu bem cedo. Disse que não queria chegar atrasada. Patrícia sentiu um frio percorrer a espinha. — Ela não chegou à empresa. Gabriel arregalou os olhos. — Como assim? Nesse momento... Uma senhora que regava as plantas no jardim aproximou-se lentamente. — Com licença... Todos olharam para ela. — Aconteceu alguma coisa com a Maya? Patrícia aproximou-se. — A senhora viu ela sair hoje? A mulher assentiu. — Vi. Ela entrou em um carro prata. Achei até estranho. Porque ela sempre pega ônibus. Eduardo deu um passo à frente. — A senhora viu quem dirigia? A vizinha pensou por alguns segundos. — Era um homem. Usava roupa social. Parecia médico. Gabriel arregalou imediatamente os olhos. — Médico... Patrícia sentiu o coração acelerar. — Gabriel... Você conhece algum médico que fale com a Maya? O menino respondeu sem pensar. — Ricardo. Ricardo Monteiro. Aquele médico chato do hospital. Ele vivia chamando a Maya para sair. Os olhos de Eduardo escureceram. Sem perder um segundo, pegou o celular. ... Na Beaumont Holding... O telefone de Nicolas tocou. Ele atendeu no primeiro toque. — Fale. A voz de Eduardo veio firme. — Senhor Beaumont... A senhorita Maya saiu de casa para trabalhar. Mas nunca chegou à empresa. Uma vizinha confirmou que ela entrou em um carro com um médico. Gabriel identificou o homem. Ricardo Monteiro. Por um instante... O mundo pareceu parar. Nicolas fechou lentamente os olhos. Seu maxilar enrijeceu. A culpa o atingiu como um soco. Ricardo. Ele deveria ter previsto aquilo. Abriu novamente os olhos. A voz saiu fria. Controlada. Perigosa. — Encontrem todas as câmeras entre a casa da Maya e a empresa. Quero cada imagem. Cada cruzamento. Cada minuto do trajeto. — Sim, senhor. Antes mesmo de encerrar a ligação... Nicolas já discava outro número. Lorenzo atendeu imediatamente. — Aconteceu alguma coisa? Nicolas não perdeu tempo. — Ricardo Monteiro levou a Maya. Do outro lado da linha... O silêncio durou apenas um segundo. Depois a voz de Lorenzo tornou-se tão fria quanto a dele. — Estou mobilizando meus homens agora. Nicolas caminhou até a janela. Os punhos estavam cerrados. Os olhos completamente escuros. Havia apenas um pensamento em sua mente. Encontrá-la. Custasse o que custasse.






