Arthur desce as escadas comigo sem dizer uma palavra. O passo é constante e seguro, como se o peso do meu corpo não o afetasse. Isso irrita-me mais do que se ele demonstrasse esforço.
Quando chegamos ao jardim, abranda e inclina-se com cuidado para me pousar na cadeira de ferro, à sombra da grande tília. Os seus braços afastam-se de mim deixando um vazio.
— Dona Léonor — diz, com perfeita fluência — está confortável?
Engulo em seco.
— S-sim… — respondo, evitando o olhar dele. — Sim, obrigada