Eu estava na cozinha fingindo que nada havia acontecido.
Cortando legumes. Limpando a bancada. Respirando fundo como quem tenta manter a própria sanidade em cubos bem organizados.
Foi quando senti.
Não ouvi passos.
Senti.
Aquele silêncio diferente que só aparece quando alguém entra decidido demais para retroceder.
Demir parou a poucos passos de mim. Não cruzou os braços. Nem fez pose. E também não sorriu.
Isso, por si só, já era alarmante.
A cozinha ficou em silêncio, ninguém ousou se mover.
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