Sebastian Viccari
Do meu posto no mezanino, vi o exato momento em que as portas duplas da entrada principal foram abertas com uma força desnecessária. Alexandre Moretti não caminha; ele marcha.
Ele estava de terno escuro, sem gravata, e a sua expressão era de um homem prestes a executar uma sentença. Ao seu lado, dois seguranças da família tentavam, sem sucesso, ser discretos.
— Ele chegou — a voz de Enzo estalou no meu ouvido. — Está a ir direto para o camarote das irmãs, ele protege essas meninas como se fossem quebrar a mínimo contato.
— Eu estou vendo, Enzo. Mantém a posição. Se ele tentar levá-la à força, intervimos. Mas não antes disso, eu preciso saber qual será o próximo movimento de Alexandre.
Disse vendo cada segundo como uma linha tênue entre a razão e o perigo.
Aurora tinha acabado de sair do corredor de serviço, ela mesmo sendo rápida, ainda assim, poderia levantar suspeitas.
Eu a vi pelo canto do olho, parando junto a um espelho decorativo na zona de transição para