Aurora Moretti
O anfiteatro da Faculdade de Direito estava mergulhado no som monótono da voz do Professor Valenti discorrendo sobre Direito Administrativo e licitações públicas. Era irônico. Eu deveria estar prestando atenção em cada detalhe sobre contratos estatais, já que o nome da minha família dependia daquela precisão, mas as letras nos meus livros pareciam flutuar diante de mim.
Eu olhava para o papel à minha frente, mas não via cláusulas ou parágrafos. Eu via o contraste da pele dele contra a minha. Fechei os olhos por um segundo, e o ar condicionado gelado da sala de aula transformou-se, na minha mente, no calor sufocante daquela suíte no Fasano.
A memória do primeiro toque ainda queimava na minha memória, mesmo quando a realidade finalmente veio átona.
Eu me lembrava de como o ar parecia ter acabado quando a porta do quarto se fechou com um estalo agudo. Não houve hesitação no momento, somente a certeza que eu iria até o fim. Sebastian não era um homem que pedia perm