Elena Fontes
O trajeto de volta do Jardim Botânico foi um borrão de luzes e sombras. O banco de couro do carro blindado parecia menos frio do que de costume, ou talvez fosse apenas o calor que ainda emanava do meu rosto, onde a mão de Alexandre Moretti havia pousado por breves segundos. Eu olhava pela janela, mas não via a Marginal Pinheiros ou o fluxo caótico de São Paulo. Eu via os olhos dele.
Ele sabe sobre o Eli.
Essa frase ecoava na minha mente como um sino pesado. Durante dois anos, eu vivi em um labirinto de dúvidas, perguntando-me se a minha desconfiança era apenas um subproduto da minha dor, ou se eu estava ficando louca, como Ricardo gostava de sugerir. "Você está traumatizada, Elena", ele dizia com aquela voz aveludada e cruel. "Sua mente está criando monstros para fugir da realidade". Mas o monstro era real. E agora, um homem que eu mal conhecia tinha as chaves para as correntes que me prendiam.
Confiar em Alexandre Moretti é caminhar de um campo minado para o olho de