Aurora Moretti
Acordei antes do despertador, com a luz cinzenta de Londres filtrando-se pelas cortinas de seda. Meu corpo ainda carregava o eco do calor de Sebastian, uma memória muscular que me traía a cada movimento. Me sentei na cama e olhei para as minhas mãos; elas pareciam estranhas, como se pertencessem a uma mulher que eu não conhecia. Uma mulher que foge à meia-noite para se entregar ao inimigo em uma mesa de carvalho.
Tentei me convencer de que era apenas o desejo acumulado. A "tensão sexual" que os filmes tanto romantizam. Mas, enquanto eu caminhava para o banho, a náusea no meu estômago não era de arrependimento físico. Era o pavor de uma descoberta tardia.
A ficha caiu com o barulho da água batendo nos azulejos: eu não estava apenas viciada no perigo. Eu estava apaixonada por Sebastian Viccari. E essa era a minha sentença de morte, porque eu sabia que estava nesse barco sozinha.
Saí do quarto tentando compor a máscara da Dra. Moretti. Ricardo já estava na cozinha, im