Aurora Moretti
Londres acordou envolta em uma névoa que parecia feita de algodão e memórias. O frio de South Kensington cortava as maçãs do meu rosto enquanto eu caminhava em direção ao pequeno café onde Alistair Thorne havia marcado nosso encontro. Eu não usava mais as joias pesadas da família Moretti, nem o olhar vigilante de Ricardo me seguia como uma sombra opressiva. Pela primeira vez em meses, eu era apenas Aurora, uma mulher caminhando para acertar as contas com o passado.
O café era um refúgio de madeira escura, hera nas paredes e o aroma reconfortante de Earl Grey e torradas. Era um lugar para quem não queria ser visto. E para Alistair, que outrora era o sol central da aristocracia londrina, ser invisível era agora uma necessidade de sobrevivência.
Quando o vi sentado em uma mesa de canto, meu coração deu um solavanco. Aquele não era o Alistair Thorne que eu conheci — o homem cujos ternos Savile Row eram tão rígidos quanto sua postura social. Ele usava um suéter de lã e