Por Elena Fontes
O silêncio do meu closet era interrompido apenas pelo som rítmico da minha própria respiração. Eu olhava para o vestido de seda prata sobre a cama, uma peça que Ricardo escolhera para que eu brilhasse como um troféu bem polido, uma joia estática em seu inventário de conquistas. Mas, enquanto eu aplicava a maquiagem com mãos surpreendentemente firmes, eu não via mais a vítima no espelho. Eu via uma jogadora prestes a fazer a sua jogada mais arriscada.
Pela primeira vez em dois anos, eu estava tranquila. Não era a paz de quem se sente segura longe disso, mas a serenidade gélida de quem finalmente escolheu o seu destino. Alexandre Moretti era o meu salto no escuro. Mesmo que uma vozinha persistente no fundo da minha mente sussurrasse que eu estava apostando a minha vida em um desconhecido, o risco parecia insignificante diante da certeza de continuar apodrecendo naquela prisão de mármore. Eu preferia o abismo com Alexandre do que o chão firme com Ricardo.
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