Alexandre Moretti
O Palácio dos Bandeirantes brilhava sob as luzes de inundação, uma joia de arquitetura e poder encravada no Morumbi. Para as centenas de convidados que desciam de seus carros blindados, aquela era apenas a noite mais importante do calendário social.
Um evento beneficente, uma galã para demonstrar riqueza e poder entre os membros da alta sociedade.
Entretanto, para mim que observava tudo, era o campo de batalha que eu havia mapeado centímetro por centímetro.
Eu ajustei as abotoaduras de ônix e olhei para o meu reflexo no vidro escurecido do carro de luxo que não deixava dúvidas da minha linhagem. Eu não via um executivo naquele reflexo. Via um homem pronto para o abate.
- Tome cuidado, meu filho. Sei que você quer salvar a menina, mas não pode se colocar em risco. - Minha mãe não iria me impedir, mas ela tinha que me avisar novamente sobre ter "cuidado"
- Eu sei mãe, e eu vou ter cuidado. - Ela suspirou, mas não falo mais nada.
Meu pai, Dante, desceu primeiro.