Elena Fontes
O sol de São Paulo entrava pelas frestas das cortinas de veludo pesado como agulhas de luz, mas eu permanecia imóvel, encarando o teto trabalhado em gesso. Cada centímetro do meu corpo latejava. Não era apenas a dor física, aquela que eu já aprendera a mascarar com gelo e silêncio; era a dor da humilhação.
Tudo porque eu ousei olhar para um estranho. Tudo porque Alexandre Moretti, com aquele olhar que parecia carregar o peso do mundo, me tratou como se eu fosse real por um breve mi