Elena Fontes
O sol de São Paulo entrava pelas frestas das cortinas de veludo pesado como agulhas de luz, mas eu permanecia imóvel, encarando o teto trabalhado em gesso. Cada centímetro do meu corpo latejava. Não era apenas a dor física, aquela que eu já aprendera a mascarar com gelo e silêncio; era a dor da humilhação.
Tudo porque eu ousei olhar para um estranho. Tudo porque Alexandre Moretti, com aquele olhar que parecia carregar o peso do mundo, me tratou como se eu fosse real por um breve minuto.
Tinha sido castigada por ser cordial, educada e não deixar outra pessoa falando sozinha.
O Eco da noite passada ainda ecoava no meu minha cabeça, no meu corpo e alma.
Ricardo não gritou quando chegamos em casa após a galeria. Ele nunca grita. O silêncio dele é muito mais aterrorizante que seus gritos de raiva e frustração. Ele apenas me conduziu pelo braço até o nosso quarto, o aperto de seus dedos deixando uma marca que eu sabia que ficaria roxa antes do amanhecer.
— Você parecia muito i