Elena Fontes
O som da campainha da mansão Fontes naquela tarde não era um sinal de visita cordial ou esperada. Na verdade, era o anúncio de um compromisso obrigatório que eu odiava com todas as minhas forças.
Minha mãe, Senhora Beatriz, e minha sogra, Senhora Margarida Fontes, chegaram como uma tempestade de perfumes caros e futilidade programada. O objetivo? Escolher o figurino para um gala beneficente da semana seguinte.
Poderia dizer que é um evento com um propósito maior, um evento de caridade; para mim, mais uma noite de exibição do meu cativeiro.
Era nesses momentos em que eu agonizava, e ninguém via.
Quando dei por mim, ambas entraram na casa como se fossem as mulheres mais felizes do mundo.
Eu sentia vontade de mandar elas irem embora, que não precisavam fingir perto de mim. No entanto, eu sabia que ambas escondiam bem as suas próprias marcas, eram anos de prática nesse circo dos horrores.
Minha mãe foi a primeira a falar, e pior, eu já não aguentava ouvir sua voz.
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