Mundo de ficçãoIniciar sessãoPOV MARJORIE
Apolo me levou para uma balada VIP. Eu simplesmente não estava acreditando no que meus olhos viam. Eu gostava de dançar — nos bailinhos da quebrada eu sempre me jogava — mas aquilo… aquilo era outro universo. Apolo parecia totalmente à vontade ali dentro, como se fosse dono do lugar. Sabia cumprimentar as pessoas, sabia quem era quem. Me disse para aproveitar, que estava de olho em mim, e que ia falar com algumas pessoas. E eu me soltei na pista. Logo percebi que minha teoria estava certa: ele realmente conhecia bem aquele lugar. Vi quando ele conversou com o barman e depois com uns caras que pareciam importantes. Eu dançava, aproveitava, me sentia livre. Quase metade da música já tinha passado quando o barman veio com um copo lindo — parecia um milk-shake chique, decorado com morango. Pensei em recusar, mas lembrei que Apolo tinha pedido pra ele. E eu sabia que ele não ia me encher de álcool daquele jeito. Peguei o copo, agradeci e dei um gole. — O que é isso? — perguntei. — Batida de morango com iogurte. Achei fofo. Uma “bebida de criança”, do jeito que eu gostava. Dei uma talagada boa. Tinha um gostinho alcoólico leve, um amargor no fim, mas nada que me assustasse. Eu não tinha costume de beber, mas já estava fazendo várias coisas fora da minha rotina desde que coloquei os pés naquele hotel. Deixei o copo na mesa e voltei a dançar. Ora bebia, ora dançava. Nem percebi quanto tempo tinha passado. A bebida era gostosa demais, e eu nem percebi que o copo nunca ficava vazio. Quando começou uma música de passinho, meu corpo reagiu sozinho. Em segundos, Apolo apareceu ao meu lado. Aquela era “a nossa música” — a gente sempre dançava junto na sala lá de casa. Ele até tinha me dado o disco. Dançamos, rimos, e ele comentou: — Tomara que você não se importe, mas mandei trocar sua bebida. Olhei para o lado. Agora era um copo com um milk-shake branco. — E essa? — Batida de coco. — Você é impossível. — Só porque escolhi suas duas frutas preferidas? — Atencioso demais. Bebi um pouco. O gosto alcoólico era mais forte. — Essa aqui é bem mais forte — avisei. — Tem certeza? Mandei fazer fraca pra você. — Claro que tenho. — Posso provar? — ele perguntou. — Claro. Estendi o copo… e, ao invés de beber, ele beijou minha boca. Por um segundo, eu fiquei sem reação. Mas os lábios dele eram tão macios que minha resposta veio sozinha. Antes que eu pudesse me entregar de vez, ele interrompeu. — Não senti forte, não. Tentei disfarçar a decepção. — Então prova do copo, oras! Virei de costas e voltei a dançar. Não vi quando ele acenou para o DJ. O som foi baixando devagar, e o DJ anunciou “sessão mela-cueca”, soltando uma música lenta, coladinha. Apolo colocou as mãos na minha cintura e me virou. — Agora é comigo. Já dançou demais sozinha. Engoli em seco. Bebi mais um pouco, coloquei os braços no pescoço dele. A gente já tinha dançado assim em festas, mas… naquele dia era diferente. Talvez porque meu pai não estava olhando. Apolo estava mais atrevido, colando o corpo no meu. Senti calor. Muito. Ele tirou uma das mãos da minha cintura e passou o dedo pelas minhas costas, devagar, enquanto apertava minha cintura com a outra. Levantei os olhos; nossos olhares se encontraram, e tudo derreteu dentro de mim. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Só sabia que queria que ele me beijasse de novo. Meu corpo queimava, minhas costas pegavam fogo sob o dedo dele. Ele só me olhava. Ele não fazia nada. Não avançava. Eu não aguentei. Fui eu quem colou os lábios nos dele. E aí ele assumiu o controle. O beijo veio com fome, com volúpia, com aquela provocação que fazia minhas pernas tremerem. A língua dele entrou na minha boca como se estivesse me devorando. Ele me puxava tão perto que parecia que íamos virar um só. Quando ele parou, eu mal conseguia respirar. — Quer sair daqui? — ele perguntou. Eu só balancei a cabeça. Ele me pegou pela cintura, me guiou para fora da danceteria e me colocou no banco de trás de um carro. O motorista fechou a porta e seguimos para o hotel. Apolo sentou ao meu lado, me observando como se tentasse decifrar meus segredos. Segurou minha mão. — Você tá bem? — Estou ótima. Mais do que ótima. Sentei no colo dele, de pernas abertas, e tentei beijá-lo de novo. Ele olhou para o retrovisor; o motorista estava com um sorriso safado. Apolo me tirou do colo com delicadeza. — Aqui, não. Estamos chegando. Me afastei emburrada. Ele juntou minhas pernas, passou a mão no meu rosto. Finalmente o carro estacionou. Subimos para a cobertura. Assim que entramos no quarto, eu o ataquei novamente. — Aqui pode? — Para com isso, Marjorie. Você tá bêbada. — Não tô. Eu bebi, sim, sabia que tinha álcool e… estava criando coragem. Mas eu tô muito consciente. — Se tá consciente, por que tá agindo assim? — Assim como? — Tá me atacando! Eu tô tentando te respeitar, mas você não colabora! — Mas a gente veio aqui pra isso! Eu tenho que te pagar o dinheiro enorme que você me deu! Não tô entendendo! — Não é assim que eu quero. Não vou fazer nada que você não queira. — Apolo… você me deixou com vontade de te beijar. Muita. E agora não quer mais? — Eu quero te beijar, minha gatinha. Quero muito. Mas não posso fazer isso com você desse jeito. — Tá bem… — murmurei, engolindo seco. — Eu só queria que você me beijasse. O seu beijo me fez sentir… umas coisas. Mas se você não me quer mais, tudo bem. Comecei a descer as alças do vestido. Eu sabia o que estava fazendo. Se eu ficasse nua, ele ia ceder. Eu não era tão inocente. Eu tinha um acordo para cumprir, e ele era encantador demais. Eu queria que ele continuasse me beijando. Eu não podia voltar pra casa virgem. Não podia deixar minha mãe vencer. E sabia que, na hora H… Apolo ia dar para trás. Ele gostava de mim de verdade. Então eu tinha que dar um jeito.






