Eu continuava ouvindo a conversa sem demonstrar grande interesse, até que algo finalmente captou minha atenção. Nancy falava sem parar, despejando um passado que, sinceramente, só comprovava o que eu sempre achei dela.
Ela começou:
— Quando eu era nova, me envolvi com um homem casado. Quando descobri, já era tarde demais, estava apaixonada e já tinha me entregado. Me afastei dele e usei Carlos pra lhe fazer ciúmes. E tudo deu certo! Henrique largou a mulher e voltou pra mim. Mas me explicou que era pobre e quem tinha dinheiro era a mulher dele e que não conseguiria me manter sem ela.
Eu ergui a sobrancelha. Nada novo.
— Desde nova, já colocava o dinheiro acima de qualquer coisa!
— Não! Henrique me convenceu que tinha um jeito! Se fizéssemos um filho pra dar pra mulher dele, que era seca, ela deixaria ele partir bem recompensado.
— Ah, então vender filhos já é uma prática antiga! Não inventei a roda...
— Vai me deixar falar?
— Desculpe.
Ela bufou e continuou, ofendida:
— Eu não aceitei