Nathan Keen
Acordei antes do despertador tocar. A cabeça pulsava como se alguém batesse nela por dentro — não era cansaço, era irritação. Irritação com ela. Sempre ela. A infeliz de olhos verdes que insiste em existir dentro da minha mente como um espinho encravado.
Levantei, passei a mão pelo rosto e me encarei no espelho.
— Ridículo… — murmurei para mim mesmo. — Perdendo tempo pensando naquela mulher.
Tomei um banho gelado, tentando expulsar qualquer pensamento que tivesse o nome Valentina Evelyn. Vesti meu terno italiano impecável, ajeitei o relógio no pulso — um hábito que faço sem pensar — e desci as escadas do meu triplex.
Anthony já estava na porta. Sempre pontual.
— Bom dia, senhor Nathan.
— Dia — respondi secamente.
Entrei no carro, e seguimos pela manhã cinzenta da Califórnia. O trânsito estava lento, mas eu nem via a rua. Só enxergava a mesma cena repetida na minha mente: ela me dando um tapa. Dois tapas. E me encarando como se eu fosse lixo. Ninguém jamais ousou levantar a