Helena Evelyn
Eu ainda sentia o sangue fervendo.
Estava sentada na minha mesa, tentando fingir que trabalhava, enquanto a cena se repetia na minha cabeça como filme ruim: Brenda entrando com aquele salto batendo no chão, sorriso de “sou a dona do mundo”, e minutos depois… gemidos.
Na sala dele.
No meio do expediente.
E eu, obrigada a ouvir tudo.
As paredes até que são grossas, mas não o suficiente pra abafar uma rapidinha de Nathan Keen. Eu ouvia os sussurros, os gemidos dela, o som do sofá rangendo, as batidas ritmadas do corpo dele contra o dela… e aquilo foi me irritando de um jeito que nem sei explicar.
Não era ciúme.
Era raiva.
Raiva daquela falta de respeito. Raiva de estar presa ali, com documentos falsos, dependendo daquele emprego… e tendo que ouvir a vida sexual do meu chefe como trilha sonora.
Quando a porta da sala dele abriu e Brenda saiu toda descabelada, ajeitando a saia como se nada tivesse acontecido, eu já estava um vulcão prestes a explodir.
E explodi.
— Você não te