༺ Tamara Silva ༻
Havia algo estranho no jeito como Malik me olhava.
Não era desejo. Pelo menos, não apenas isso.
Era como se ele estivesse esperando o momento certo para revelar alguma coisa que mudaria tudo entre nós.
A cada sorriso discreto, e silêncio prolongado, a sensação de que ele escondia um segredo crescia dentro de mim. E, por mais estranho que parecesse, em vez de me afastar, aquilo só aumentava minha vontade de descobrir quem ele realmente era.
A luz dourada do sol se espalhava pela superfície do mar, transformando as ondas em pequenos espelhos brilhantes. Encostei os braços no corrimão do iate e deixei a brisa brincar com meus cabelos enquanto observava Malik ao meu lado.
Ele mantinha os olhos no horizonte, mas eu tinha a impressão de que sua mente estava em outro lugar, calculando cada passo, como se aquele passeio tivesse sido planejado muito antes de eu entrar na vida dele.
— A vista está bonita hoje — comentou, quebrando o silêncio.
Sorri de leve.
— Muito. Eu poderia passar o dia inteiro aqui.
Ele virou o rosto lentamente para mim. O brilho daqueles olhos azul-acinzentados encontrou os meus e fez meu coração acelerar.
— Podemos... — respondeu com tranquilidade. — Ou podemos aproveitar o resto do passeio de uma maneira ainda melhor.
Franzi a testa, curiosa.
— Melhor como?
Malik diminuiu a distância entre nós até eu sentir o calor do seu corpo.
— Venha comigo.
— Para onde? — pergunto, embora a resposta pareça desenhada no jeito que ele me olha.
— Para o quarto — diz ele, deixando as palavras caírem com calma, como se estivesse me convidando para um simples café.
Olho para ele, surpresa, sentindo meu coração dar um solto.
— O quarto?
— Quero te mostrar uma coisa.
A curiosidade cresce dentro de mim como um incêndio.
— O que exatamente você quer me mostrar?
Malik inclina o corpo, o rosto próximo do meu ouvido, a respiração quente o bastante para arrepiar meu pescoço.
— Algo que você vai gostar. Muito.
O calor invade minha pele num segundo.
— E como pode ter tanta certeza disso?
Ele recua o suficiente para que eu veja o sorriso decidido surgindo nos seus lábios. É o sorriso de um homem que sabe exatamente o que quer e não pede permissão para nada.
— Porque eu conheço você melhor do que imagina — responde, sustentando o olhar.
Uma risada me escapa, misturada com o nervosismo.
— Convencido.
— Convicção funciona quando se sabe usar —
Malik devolve, tocando minha cintura com leveza, um comando disfarçado de convite.
Fico em silêncio por alguns instantes, sentindo o toque dele firme o bastante para me conduzir. O vento continua soprando forte ao redor, mas o calor que cresce no meu peito substitui tudo. Por anos me privei de tanta coisa, me agarrando a uma ilusão que só me machucou.
Malik está disposto a me fazer recuperar esse tempo e, no fundo, eu quero me perder nesse sentimento.
Ele estende a mão. O brilho no olhar dele garante que a intenção está longe de ser inocente.
— Vem — diz.
A ponta dos seus dedos encosta nos meus. É um toque pequeno, mas capaz de provocar uma corrente elétrica pelo meu braço. O mar continua se movendo ao fundo, mas minha atenção se fixa totalmente no passo que estou prestes a dar.
— Espero não me arrepender — murmuro com um sorriso torto, sentindo o controle escorregar pelos dedos.
— Não vai — ele garante, aproximando o rosto de novo. — Eu prometo.
Deixamos o convés para trás. Malik me guia por um corredor iluminado pela luz natural que entra pelas janelas laterais. O iate parece um mundo escondido por dentro.
A porta da suíte principal se abre quando ele gira a maçaneta. A madeira escura contrasta com o branco das paredes, e a cama ampla ocupa o centro do espaço. Cortinas leves se movem com o vento, e um aroma suave de cedro preenche o ambiente.
Entro devagar, analisando cada detalhe. O lugar é íntimo, elegante e acolhedor. Malik fecha a porta atrás de nós com um clique seco.
— Então… — olho ao redor, tentando disfarçar a ansiedade. — O que você queria me mostrar?
Ele se aproxima com a calma calculada de quem sabe o efeito que causa. A mão dele desliza pela minha cintura, subindo devagar pela minha pele.
— A resposta está bem aqui — murmura, encostando a boca perto da minha orelha. — Só preciso que você confie em mim.
Minha respiração falha. Sinto minhas pernas vacilarem quando ele morde de leve o lóbulo da minha orelha, um rastro de fogo descendo pelo meu pescoço.
— E por que eu deveria confiar?
— Porque você sente que pode — ele toca meu queixo com a ponta dos dedos, erguendo meu rosto. — Você sabe que não existe espaço para mentiras aqui dentro. Nem para dúvidas. Só o que nós dois queremos.
Meu corpo reage antes que eu consiga processar. O sangue corre mais rápido, a respiração fica curta. Malik observa minha entrega com uma paciência que me desmonta por dentro.
— Posso? — pergunta com a voz baixa, rouca.
Olho nos olhos dele e me vejo completamente rendida. Esse homem sabe exatamente como deixar uma mulher louca.
— Pode — digo, em um fio de voz.
O sorriso dele cresce, lento e perigoso.
— Então vem — diz, puxando minha cintura com firmeza, colando nossos corpos.
O ar some. A aproximação é inevitável. Ele encosta a boca na curva do meu pescoço, um toque que incendeia tudo dentro de mim. Suas mãos deslizam pelas minhas costas, guiando cada movimento meu.
O mar continua lá fora, batendo no casco com um ritmo constante, mas dentro do quarto o silêncio é carregado de desejo. Malik ergue meu queixo mais uma vez, os olhos brilhando com uma promessa intensa.
— Não serei gentil hoje, Tamara. Vou fazer você esquecer o resto do mundo e lembrar apenas do meu nome.
Ele me puxa para um beijo profundo, um desejo avassalador que me faz corresponder na mesma intensidade. Dali em diante, eu só queria aproveitar os prazeres da vida.
Queria me entregar àquela paixão. Malik quer me dar o mundo, e eu aceito, porque tudo o que preciso agora é ser amada de verdade.
Ele me deita na cama de forma firme, o corpo dele cobrindo o meu, tirando qualquer espaço para o passado. Mas, logo antes de nos entregarmos completamente ao calor do momento, Malik para por um segundo, me olhando com uma expressão enigmática que me gela e me incendeia ao mesmo tempo.
— Você realmente não faz ideia de quem eu sou, não é? — ele sussurra contra meus lábios, um sorriso misterioso brincando no canto da boca, antes de voltar a me beijar e me fazer esquecer de qualquer pergunta.