10-NOVA VIDA

ABNER

No primeiro dia dirigi até a noite, mas cheguei numa pousada, iria descansar, após anos de serviço, trabalho.

Naquela cidade fiquei por uma semana, era um lugar tranquilo, visitei os pontos turísticos.

Mas, sabia que o dinheiro que tinha uma hora ia acabar.

Com isso na cabeça, pesquisei cidades ao redor, para morar, assim viajei novamente com a minha pequena, que adorava tudo, principalmente ficar comigo.

Fui para uma cidade do interior, lá fiquei numa pensão familiar, ali pesquisei uma creche, e trabalho, com Mabel na creche, consegui algumas diárias numa oficina mecânica.

Estava gostando daquilo, os cursos técnicos que fiz ajudavam.

Mabel, conseguiu se adaptar bem a creche, onde fez muitos amigos.

A nossa rotina era, durante a semana, levava ela na creche, ia para o trabalho, no horário do almoço comia marmita, a tarde pegava a minha pequena e na pensão, usava a área de serviço para lavar as nossas roupas, o jantar e o café da manhã fazíamos ali.

Fim de semana, ela ficava no sábado de manhã com a dona da pousada, à tarde era passeio, sorvete, lanche, muita brincadeira.

Não sentia saudade do luxo que vivia, onde tinha tudo na mão, pessoas para me servir.

Não fiz muitos amigos, não queria chamar a atenção, mas era cidade pequena, logo começamos a chamar a atenção.

Na creche, começaram a fazer perguntas, no trabalho, queriam saber de onde vinha, onde aprendi tanto de carro.

Comecei a fazer trabalhos extras, o que gerou inveja de outros mecânicos.

Algumas mulheres começaram a jogar indiretas, tudo isso por ter um carro, e olha que era um tipo antigo, barato, imagina se soubessem da minha coleção.

Fiquei nessa cidade por um ano, até que numa tarde quando cheguei na pousada recebi uma encomenda, a dona do lugar olhava para mim até mais sorridente.

Sim, Dora e vovô Miguel haviam-me encontrado.

Esperando ali, havia um motorista, um segurança, com dois carros para me buscar.

-Boa tarde Sergio! Então eles acreditam que mandando você, irei voltar?

— Boa noite senhor Miguel! A situação por lá está difícil, todos sentem a sua falta. Quando fiquei sabendo que iriam mandar alguém, eu mesmo coloquei o nome. A empresa que todos gostam esta a ir à falência, precisamos do senhor.

— Vocês precisam de currículos, ali vocês, assim como eu, são apenas funcionários, não herdeiros. Não irei voltar, você sabe.

— Eu compreendo, mas o segurança ali fora não irá pensar da mesma forma. Os seus primos pagaram um extra para ele. E sei que tem mais nos seguindo.

— Deixe comigo, irei resolver isso. Informe que preciso cuidar de alguns assuntos antes de ir com vocês.

— Pode deixar, se cuide senhor.

— Sérgio, procure Renato o meu amigo, diga que precisa de um trabalho. Ele irá lhe acolher, você é um bom homem.

Depois dessa conversa, chamei dona Joana para uma conversa.

Expliquei a minha situação, fui sincero com ela, pois precisava de aliados.

— Pode contar com toda a cidade menino, diga o que precisa.

— Amanhã, irei pegar a documentação de Mabel na escola, passar o carro para o seu nome, não irei com ele, nem comprar outro, já que foi por ele que me encontraram.

Assim fiz, no outro dia, deixei Mabel com dona Joana e fui na escola, de lá para a oficina, lá todos já sabiam quem eu era, mas contei a minha história, todos me ajudariam.

Assim, voltei até a pensão almocei e disse que iria precisar assinar alguns papéis e sairíamos a tarde.

Com o carro estacionado na frente do lugar, peguei apenas os documentos e poucas roupas, tudo numa mochila pequena, e sai pelos fundos, saindo na casa da vizinha que já sabia de tudo.

Um carro do pessoal da oficina, usado para atender em fazendas estava ali, entrei com Mabel no espaço das ferramentas.

Fui assim que sai da cidade, até uma fazenda vizinha, de lá pegamos carona até outra cidade.

Agradeci a todos, que concordaram comigo em fugir de pessoas que apenas queriam explorar-me.

Na outra cidade embarcamos num ónibus, comprei a passagem para o lugar mais longe que tinham.

Outra vez fugia.

No segundo dia de viagem a minha pequena resolveu questionar-me, algo que nunca havia feito antes.

— Papai, estamos a ir embora, para ficar longe do vô Miguel e Dora, que queriam levar-me para longe do senhor?

-Mabel, de onde você ouviu isso?

— Antes da gente sair da nossa casa, um dia aquela tia loira alta que não gosta de criança, esteve em casa com Dora e vô Miguel, eu escutei eles falando, que logo iriam mandar a filha da secretária para bem longe. Quando a gente saiu da casa, deixando tudo, eu sabia, que o senhor queria Mabel do seu lado, não queria eu longe.

— Você está certa filha, não quero você longe, estarei sempre do seu lado.

— Eu também papai, mas logo vamos achar uma moça bem legal para namorar o senhor, e cuidar de mim, o senhor vai ver.

— Onde anda sabendo sobre isso de namorar mocinha. — Falei rindo para mudar de assunto.

— Na creche, falava de tudo com as minhas amiguinhas.

A nossa conversa ficou animada, ali dentro do ónibus.

Viajamos por mais de duas semanas, dormindo dentro de diferentes ónibus, ia para o extremo do país.

Porém, em algum momento acabei perdendo o rumo, e acabamos num lugar muito estranho, peguei um ónibus, que no meio do caminho quebrou, e alguns passageiros começaram uma briga.

O lugar onde estávamos, era deserto, mas sabia que ali, não era seguro para ficar, com a minha filha, nem com a quantidade de dinheiro que estávamos, se alguém ali soubesse iria ser muito perigoso.

O motorista informou que outro ónibus iria passar ali dentro de oito horas.

Um casal de idosos disse que o sítio deles estava perto, que iriam caminha, perguntei sobre onde ficava a cidade, indicaram o caminho.

Mabel, estava com medo, resolvi segui o caminho que me falaram, mas acredito que errei a direção, não chegava a lugar nem um.

Já caminhava mais de uma hora, Mabel, caminhava um pouco, um pouco eu a levava nos ombros.

A noite já estava chegado, o que ajudava com o calor, mas o perigo apenas aumentava.

— Papai um carro!

Sim, era um carro, tipo picape, estava parado com o capô levantado, fiquei atento, foi então que escutei choro de uma mulher.

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