A primeira vez que entrei no grande salão de Uperside, anos atrás, fiquei deslumbrada. O teto abobadado parecia dissolver-se em névoas douradas, as pinturas em alto-relevo intrincados; e a cada manhã, a claridade filtrada pelos vitrais das torres descia como chuva líquida sobre as longas mesas.
Mas hoje… tudo parecia diferente, o salão estava mais caloroso e mais barulhento que de costume, como se um entusiasmo novo e desconhecido tomasse a todos, calouros e veteranos.
As longas mesas de madeira antiga e escura estavam cobertas por toalhas cor de marfim e talheres que brilhavam sob a luz das chamas de velas em candelabros de prata e cristal. Pratos fumegantes se espalhavam por todos os lados, ovos escalfados, tortas de batata com ervas, panquecas empilhadas, bacon crocante, caldos grossos de cogumelos e ervas que perfumavam o ar.
O cheiro de pão recém-saído do forno me abraçou como um feitiço familiar, fazendo meu estômago roncar, eu nem tinha percebido que estava faminta. Meu nervosi