P.D.V de James
Conheço olhares. Já decifrei medo, desejo, ódio, submissão — leio-os como páginas abertas. Mas o dela me intriga de um modo que me descompassa. Stella acha que me esconde algo sob aquela calma; não há nada que escape de mim, e ainda assim encontro ali uma centelha diferente: não ódio, não medo — fé. Esperança.
Aproximei-me e segurei seu queixo entre os dedos, forçando seus olhos a encontrarem os meus. Aquela centelha estava lá, brilhando teimosa, quase insolente.
— Esse olhar — murmurei, a voz baixa, arrastada, carregada de ironia. — Você realmente pensa que pode me enganar, Stella?
Ela calou-se. O silêncio falou por ela, e foi o silêncio que mais me incomodou: uma convicção não dita, uma promessa muda. Soltei uma risada curta, um rosnado que misturou divertimento e aviso.
— Não finja. Eu percebo. Tem algo em sua cabeça. Mas saiba, não vai funcionar. Você é minha para eu usar.
Inclinei-me até que meus lábios roçaram seu ouvido; senti o calor da pele, o tremor qua