Helena dormiu mal.
A cama era confortável demais para justificar o cansaço que sentia, mas ainda assim passou a noite acordando em intervalos curtos, como se o corpo não tivesse decidido se aquele lugar era seguro ou não. O silêncio da mansão não ajudava. Não era o silêncio comum de um apartamento pequeno — era amplo, profundo, atento.
Ela abriu os olhos antes do despertador.
Por alguns segundos, não reconheceu o quarto. As paredes claras, a janela alta, a escrivaninha organizada demais. Então lembrou. A entrevista. O menino. A casa. O emprego.
A realidade voltou inteira, sem delicadeza.
Sentou-se na cama e respirou fundo, tentando afastar a sensação estranha de estar sendo observada, mesmo sozinha. Não era medo. Era presença. Como se aquela casa tivesse regras próprias — e ela ainda não as conhecesse.
Tomou um banho rápido, prendeu o cabelo de forma simples e escolheu uma roupa discreta: confortável, neutra, funcional. Não queria chamar atenção. Ainda não.
Quando saiu do quarto