Isadora Vasconcelos
A água cai em lâminas quentes sobre meus ombros, escorrendo pela minha nuca como dedos impacientes que tentam me moldar, inútil, claro. Nada molda alguém como eu. Encosto a testa no azulejo frio, sentindo o contraste me despertar, me afiar, me lapidar no que sempre fui: perigo puro envolto em pele.
Fernando ainda está largado na cama, entre lençóis que não me pertencem, respirando como um animal satisfeito depois de devorar o que queria. Ele acha que venceu alguma coisa. Home