Alice Kim
Domingo. Final da manhã.
A mesa já estava posta. Minha mãe picava legumes com a leveza de quem não tinha a menor ideia do inferno emocional que se espalhava pela casa. Ricardo, meu padrasto, cortava carne assobiando uma música dos anos 80, como se o mundo fosse um grande comercial de margarina.
E eu?
Eu só queria desaparecer dentro da panela de arroz.
Zion estava quieto. Muito quieto. Sentado à mesa, mexendo no celular. Mas eu conhecia aquele silêncio. Aquilo não era tranquilidade. Era