Alex
Eu a deixei no carro, trancada no ambiente seguro e climatizado que o meu sedã oferecia, mas a fúria que queimava no meu peito era um incêndio que o ar-condicionado nenhum seria capaz de apagar. Voltei meus olhos para Victor, que rastejava no chão como o verme que era, tentando limpar o sangue que jorrava do nariz quebrado.
Minhas mãos latejavam. Eu queria terminar o que comecei. Queria sentir as costelas dele cedendo sob meus sapatos mais uma vez, queria apagar aquela existência medíocre por ter ousado colocar as mãos no que eu decidi que era meu. Se eu tivesse demorado mais trinta segundos... se eu não tivesse confiado no meu instinto de olhar pelo retrovisor e estranhar a ausência daquela moto... o pior teria acontecido. E eu não me perdoaria. Eu o mataria com as minhas próprias mãos e aceitaria as consequências.
Mas eu tinha um império para gerir e uma imagem a zelar. Eu não podia ser preso por um lixo como aquele.
— Resolva isso — ordenei ao segurança do bar que se aproximo