O barco elétrico cortava o mar escuro como uma lâmina. O rastro de luz na água tremia sob a lua.
Jackson apertou a barra do casaco. O vento trazia cheiro salgado e algo mais — terra molhada, folhas queimadas, promessas.
— A gente tá indo pra onde? — perguntou, olhando para Serena.
Ela apontou para frente, sem pressa.
— Olhe... ali. Aquela ilha... a Ilha do crepúsculo.
O piloto, um membro da alcateia Blackwolf, manteve o curso. Silêncio profissional. Olhos postos na linha do horizonte.
A ilha apareceu como uma sombra que respira: alta, espessa, luzes tremeluzindo entre os galhos. Havia movimento — lanternas, passos, figuras que se dissolviam na mata.
Quando o casco tocou o cais, o primeiro sopro de terra atingiu Jackson. Ervas queimadas, mel, resina. Incenso que grudava no ar.
Serena desceu primeiro, puxando a mão dele.
— Agora você vai conhecer a minha família materna — disse ela, natural, firme.
A praia estava viva. Crianças corriam, pintadas com linhas brancas e vermelhas. Mulheres