O silêncio depois da entrada dele era pesado, mas não durou.
Meu tio Paulo, que até então estava calado, encostado na parede como se fosse apenas espectador, resolveu falar.
— Então é verdade mesmo — disse ele, a voz carregada de ironia. — A menina arrumou um protetor.
Eu senti o chão balançar sob meus pés.
— Tio… — comecei, mas ele me cortou.
— Não precisa explicar. A gente sabe muito bem como essas coisas funcionam. Homem desse tipo não faz caridade.
A insinuação ficou no ar, suja, venenosa.