Capítulo 11

O silêncio depois da entrada dele era pesado, mas não durou.

Meu tio Paulo, que até então estava calado, encostado na parede como se fosse apenas espectador, resolveu falar.

— Então é verdade mesmo — disse ele, a voz carregada de ironia. — A menina arrumou um protetor.

Eu senti o chão balançar sob meus pés.

— Tio… — comecei, mas ele me cortou.

— Não precisa explicar. A gente sabe muito bem como essas coisas funcionam. Homem desse tipo não faz caridade.

A insinuação ficou no ar, suja, venenosa.

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