O portão ficou para trás.
Eu entrei no carro sem olhar para trás de novo. Se olhasse, talvez vacilasse. Talvez lembrasse da menina que chegou naquela casa com uma mochila pequena e um luto enorme demais para a idade que tinha.
O Coroa fechou a porta do motorista com firmeza e deu partida.
O motor ronronava baixo, quase discreto, mas o silêncio dentro do carro era pesado. Ele não tentou puxar assunto. Não fez discurso. Não ofereceu consolo.
E, estranhamente, eu agradeci por isso.
Encostei a cabe