Assim que Maria Clara entrou no saguão, a porta da frente abriu com um estalo suave. O ar frio da noite entrou junto com Roberto, que, ao vê-la, abriu um sorriso tão largo que iluminou seu rosto cansado.
— Clara. — disse com entusiasmo sincero, aproximando-se. — Que prazer em vê-la.
Ela retribuiu o gesto com educação e um leve rubor.
— Senhor Roberto. Pensei que o senhor não retornaria hoje.
— Pois é… — ele soltou um suspiro teatral. — Álvaro me encheu de trabalho e não consegui chegar a tempo para o jantar.
Antes que ela pudesse falar algo, passos firmes ecoaram pelo mármore do saguão. Álvaro surgiu, impecável como sempre, o olhar ligeiramente estreito ao ver a cena.
— Boa noite, Roberto. — disse ele, a voz firme. — Chegou tarde, hoje.
Roberto riu meio torto, cruzando os braços de forma provocativa.
— Você fez de propósito, não foi?
Álvaro ergueu apenas uma sobrancelha.
— Claro que não. — respondeu com frieza. — Você tem se distraído muito desde que chegou ao Brasil, e seu trabalho e