Lizandra
— Papai, quando a Lizandra vai morar com a gente?
Lia perguntou com aquela naturalidade que só criança tem, como se estivesse falando de algo tão simples quanto querer sorvete depois do almoço. Senti o calor subir direto para o meu rosto. “Morar” a palavra me atingiu ao mesmo tempo que Fernando virou-se para mim com seus olhos azuis intensos. Como se estivesse me lendo em sua observação silenciosa, firme e quase penetrante.
Eu desviei o olhar rápido sentindo o meu coração acelerar. Viviane soltou um suspiro indignado. Não perdeu a chance de demonstrar seu desagrado.
— Lia, venha cá com a titia, querida. — Ela tentou puxá-la com a mão cheia de joias, exalando o perfume enjoativo. Mas a menina se agarrou ainda mais em mim, me apertando com suas mãozinhas e afastando o rosto.
— Não quero — Respondeu, Lia com sua sinceridade de criança que cortou o ar como faca. — Quero ficar com a Lizandra.
O olhar de Viviane era de puro veneno. Congelou constrangida e claramente irritada, mas