Lizandra
Caminhei devagar ao lado do Fernando em direção a sala, segurando a folha de papel entre os dedos como se fosse algo capaz de me ancorar. Sua presença ao meu lado era algo difícil de ignorar.
Meu peito subia e descia em um ritmo acelerado. Um alívio por estar saindo finalmente daquele escritório… mas também um medo silencioso que latejava sob minha pele. As palavras dele: “detesto segredos e mentiras”, martelavam na minha mente, ameaçadoras, como se a qualquer momento ele pudesse olhar dentro dos meus olhos e enxergar tudo o que eu tentava esconder. A minha irmã. A prisão, a vergonha e a culpa.
Engoli seco.
Eu queria falar logo com a governanta e ir embora, mas o destino parecia querer me testar. Porque assim que chegamos à sala, fomos surpreendidos, ou melhor, eu fui, por uma mulher caminhando diretamente na direção do Fernando com uma intimidade que me pegou desprevenida.
Ela parecia saída de um catálogo de luxo. Devia ter seus trinta e poucos, era alta, magra, com olhos ve