Me perdoa…

Fernando

— Eu sei que sou apenas a babá.

Ela continuou com a voz embargada e firme ao mesmo tempo:

— Mas eu amo a Lia. Amo de verdade. E quero o melhor para ela. E hoje… hoje você devia se envergonhar, Fernando.

— Eu devia me envergonhar? — Repeti, incrédulo.

— Devia. — afirmou sem hesitar. — Você podia, no mínimo, ter olhado para o bolo. Ter feito pelo menos um pequeno elogio que fosse.

Franzi a testa, confuso.

— Que bolo?

Ela me encarou como se não acreditasse no que estava ouvindo.

— Eu respeitei a sua decisão, Fernando. Respeitei quando você decidiu romper qualquer proximidade comigo. Mas eu não imaginava que você fosse tão infantil ao ponto de misturar as coisas desse jeito.

Senti o golpe, mas ela não parou.

— Fique com raiva de mim. Finja que eu não existo, me trate com frieza, dê patadas se quiser — os olhos dela brilhavam, cheios de fogo. — Mas não desconte suas frustrações na Lia. Não seja infantil. A única criança dessa casa é a Lia.

— Chega, Lizandra — falei, num impulso.

S
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