Mundo ficciónIniciar sesiónQuando falou, a voz de Giulia saiu mais firme.
Mais controlada. — Pois bem, senhor Moretti. Ela inclinou levemente a cabeça em um gesto quase formal, mas havia desafio em seu olhar. — Como o senhor mesmo acabou de descobrir… Fez uma breve pausa. — Eu fugi justamente para não me casar por causa de um contrato. Os olhos permaneceram presos nos dele. — Então me diga… Ela cruzou as mãos sobre a mesa, a postura elegante, orgulhosa. — O que leva o senhor a acreditar que eu assinaria outro? O silêncio que se seguiu foi pesado. Mas diferente. Não era desconforto. Era confronto. Alessandro a observou por alguns segundos antes de se inclinar levemente para frente. — Primeiro… A voz saiu calma. — Este é um casamento de contrato. Giulia manteve o olhar firme, embora os dedos se apertassem discretamente. — E não inclui contato físico. Uma leve tensão marcou sua expressão. — As obrigações matrimoniais tradicionais não fazem parte do acordo. Ele deslizou o contrato na direção dela. — Não estão entre as suas responsabilidades. Fez uma pausa curta. — Eu preciso de uma esposa para a imprensa. O tom era prático. — Minha família não para de me pressionar. Ele cruzou os braços. — E há mulheres que acreditam que se aproximar da minha filha é uma forma eficiente de chegar até mim. Uma sombra de irritação passou por seu olhar. — Algumas estão dispostas a isso a qualquer custo. Outra pausa. — Um casamento resolve esse problema. Giulia permaneceu imóvel, analisando. — Segundo… O olhar dele se intensificou. — Se você não aceitar… Ele se recostou. — Da mesma forma que eu consegui encontrá-la… Gregor Varga também está muito próximo. O nome pesou no ar. Giulia sentiu o estômago apertar. — Ele não é um homem conhecido por sua paciência. Alessandro cruzou as mãos sobre a mesa. — Mas eu posso oferecer algo que ninguém aqui pode. O olhar firme. — Proteção. O silêncio se instalou. Giulia o encarou por alguns segundos antes de falar: — Ainda não entendi uma coisa, senhor Moretti. Ele ergueu levemente a sobrancelha. — Por que eu? O olhar dela não vacilou. — Existem muitas mulheres que aceitariam esse tipo de acordo. Um leve gesto de mão. — Uma vida confortável, segurança financeira… Um traço sutil de ironia surgiu. — E tenho certeza de que muitas delas aceitariam todas as obrigações matrimoniais com o senhor. Os olhos voltaram aos dele. — Muito mais do que eu. O silêncio se estendeu. Então algo nela cedeu. A postura ainda era firme. Mas havia cansaço ali. E um fio de verdade. Ela soltou o ar lentamente. — O senhor não pode simplesmente… me deixar em paz? A voz saiu mais baixa. Mais sincera. — Eu posso desaparecer. Ela sustentou o olhar. — Eu juro que sumo daqui. Os dedos apertaram a borda da mesa. — O senhor não precisa se preocupar comigo. Uma pausa. — Pode esquecer que sabe quem eu sou. Então completou: — E eu nunca mais me aproximo da sua filha. O silêncio que veio depois foi mais pesado. Alessandro permaneceu imóvel. Observando. — É justamente esse o ponto. Giulia franziu levemente o cenho. — Minha filha insiste que quer você como mãe. Algo apertou no peito dela. — E, nos últimos seis meses, eu observei algo. Ele inclinou levemente a cabeça. — Você realmente gosta da Elisa. Giulia não respondeu. — E ela pede isso com frequência. Uma pausa. — Que você seja a mãe dela. O silêncio caiu. Giulia desviou o olhar por um instante. Porque ele estava certo. Ela amava aquela menina. Desde o primeiro dia. Via nela uma dor que conhecia bem demais. Quando voltou a encará-lo, havia mais firmeza. — Senhor Moretti… — Eu amo a Elisa. A voz saiu firme. — Muito. Os olhos presos nos dele. — Mas eu não sou um objeto que sua filha pode desejar e o senhor sair para comprar. Uma linha de irritação apareceu. — Não adianta tentar suprir a sua ausência com presentes. O tom ficou mais crítico. — Brinquedos, roupas… qualquer coisa que ela peça. O silêncio pesou. — E agora o senhor quer comprar pessoas? Ela se inclinou levemente. — Eu não estou à venda. As palavras ficaram no ar. Alessandro não respondeu de imediato. Mas algo mudou. A mandíbula se contraiu. O olhar escureceu. Ele se inclinou para frente. Quando falou, a voz estava mais baixa. Mais dura. — Giulia Castarelli. O nome soou como um aviso. — Acho que você ainda não me conhece muito bem. Ele sustentou o olhar dela. — Eu não entro em negociações para perder. As palavras vieram firmes. — Minha reputação não foi construída com fracassos. Ele se recostou ligeiramente. — E todos sabem que eu faço o que for necessário para fechar um negócio. O silêncio dominou a sala. Então ele concluiu: — Inclusive entregar você para Gregor Varga. As palavras caíram como gelo. Giulia sentiu o corpo esfriar. O coração disparou. Ela se levantou. Ainda segurava o cordão com força. — Eu… Respirou fundo. — Eu posso… pensar? A voz saiu mais baixa. Menos firme. Alessandro apenas a observou. Giulia não esperou resposta. Virou-se e caminhou até a porta. Mas, antes que alcançasse a maçaneta— — Giulia. Ela parou. Virou apenas o rosto. Alessandro estendeu a mão, a expressão novamente controlada. — Pode me devolver isso, por favor? O olhar dele desceu até o objeto em sua mão. — Eu comprei. Uma pausa. — Isso me pertence. Por um segundo, Giulia não se moveu. Os dedos se fecharam ainda mais ao redor do cordão. Os olhos arderam. Mas ela não choraria. Não ali. Não diante dele. Com cuidado, colocou o colar sobre a mesa. Sem dizer nada. Então se virou. E saiu. Sem olhar para trás.






