Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 2
Sofia Kim — Você me deu um golpe — sussurrei, a voz falhando por um milésimo de segundo antes da raiva assumir o controle. — Eu só coloquei ordem na bagunça que seu pai criou. Se é tão boa profissional como se diz, me prove que consegue gerenciar essa empresa melhor que eu e eu te devolvo tudo. Pegou uma caneta e deixou em pé sobre a mesa. — Não preciso te provar nada. Se é realmente o homem de confiança que meu pai acredita... Deixe as minhas empresas e meu dinheiro fora disso. Ainda posso tentar fingir que isso nunca aconteceu. Considerar o que vivemos na infância. Richard sorriu, bateu a caneta sobre a mesa. — Não tem mais o direito de negociar. As cartas estão claras sobre a mesa. — Eu confiei em você. — Falei sentindo um nó na garganta. Por mais que eu soubesse que isso foi um arranjo desde pequena, eu sempre me senti confortável perto dele. Pensei que Richard seria não um protetor, mas um aliado diferente. — Não deveria ter confiado nas palavras de uma criança. — ele corrigiu, sem um pingo de remorso, então empurrou a sacola de papel pardo na minha direção. — Tire esse vestido. Você não é mais a presidente da Kim Enterprises. A partir de hoje, você é minha assistente pessoal. E vai se vestir como uma. A raiva me queimou por dentro. Respirei tentando me controlar pra não matar meu marido no primeiro dia de casada. Puxei o conteúdo da sacola. Meu coração despencou. Era um conjunto de saia e blazer cinza-escuro e longo, de um tecido barato, folgado, completamente sem corte. Uma roupa de senhora, feita sob medida para apagar qualquer traço da minha beleza, do meu poder e da minha dignidade. — Eu prefiro morrer a vestir isso — rosnei, jogando a roupa na cara dele. Richard pegou o tecido no ar sem alterar a expressão. Ele se levantou, caminhou até mim e segurou meu queixo com força, me obrigando a olhar para o monstro que eu tinha colocado na minha vida. É claro que poderia quebrar seu nariz ou qualquer parte do corpo dele, mas esperei pra ver... — Você tem duas opções, Sofia. Ou você veste isso e assume o seu novo lugar, ou os seus cinco soldados, que estão trancados em um galpão no porto agora mesmo, começam a voltar para a Rússia dentro de sacos de lixo. Um por um. A escolha é sua, minha querida esposa. Ele soltou meu queixo com um empurrão e apontou para o banheiro privativo da sala. — Você não faria isso... Eu te mataria antes. E outra... Como pretende explicar tudo isso para meus pais? — Não se preocupe porque passei mais de um ano planejando. E, acredite... Seus pais nunca saberiam realmente o que aconteceu. — Por um segundo parei pra pensar e talvez ele realmente pudesse machucar aqueles homens. Primeiro preciso descobrir o que aconteceu e porque Richard está assim. Se sempre foi esse imbecil que está sendo... Ou tem algo aí que ainda não sei. — Hm... — levantei da cadeira e me aproximei dele. — Você tem cinco minutos para se trocar. O seu primeiro dia de trabalho começa agora. — Sim chefe. — Respondi com tanto entusiasmo que percebi que ficou desconcertado. Ajeitou a gravata, engolindo seco. Vou fazer esse idiota cair no próprio jogo. Vamos brincar um pouco, Richard. Sorri, soltei com facilidade o penteado deixando meus cabelos caírem sobre as costas. Então levando as mãos pra trás alcancei o zíper, abrindo com facilidade. — O que está fazendo? — Não me mandou trocar de roupa? — encarei Richard praticamente debruçando sobre a mesa. Ele levantou apressado e foi até a porta fechando. — Você é muito descarada, mesmo! Tá querendo mostrar seu corpo para todos os funcionários? — olhei ao redor enquanto continuava descendo o vestido. — Não vejo ninguém aqui. — Eu estou aqui. — veio mais perto. Sua respiração estava ofegante, suas mãos na cintura e seu rosto parecia transpirar. — Bom, tanto faz. Você faz um drama danado. Quando o vestido deslizou pelos meus ombros, Richard ergueu os olhos por reflexo, e seu maxilar travou. Durante um segundo inteiro, ele apenas me encarou, depois virou o rosto. — Vista essa droga, Sofia. — Continuei descendo o vestido lentamente. Ele respirou fundo, fechou os olhos por um instante e passou a mão pelo rosto como quem tentava recuperar o controle. — Está surda? — Achei que quisesse que eu me trocasse. — Está me provocando Sofia? — mas no mesmo instante eu coloquei a mão a frente do corpo, deixando claro que estava impedido. Antes que Richard tentasse qualquer coisa, virei de costas como se apenas procurasse a roupa. Meu coração acelerou. Faltavam apenas três passos até o cofre... Dois, um... Richard permaneceu onde estava, encostei a ponta do dedo no leitor biométrico. Foi nesse instante que ele percebeu. — Sofia... Já era tarde. Em dois segundos minha Glock automática estava apontando pra ele. Richard olhou para a Glock, depois voltou os olhos para mim. Nem piscou. — Vai atirar? — Permaneci em silêncio. Ele deu mais um passo. — Então atira. — Isso é meu. Não tem nenhum documento que diga que essa arma não é minha. Aliás, tenho mais algumas ali dentro e estou pensando que posso fazer um estrago com elas. O cofre só abre ou fecha com a minha ordem. Sem desviar a Glock de mim, Richard sacou a própria arma. Em vez de apontá-la para minha cabeça... Encostou o cano na minha cintura. Depois me puxou para perto. — Não preciso das suas armas. Só mandei largar. O jeito como ele olhava era estonteante. Não parecia querer me punir, parecia querer me beijar. — Você virou exatamente o tipo de problema que imaginei que se tornaria... Agora entendo por que tantos homens morrem por sua causa. — Sua mão segurou minha cintura com mais força e sua arma estava de frente para a minha. Interessante... então esse era o ponto fraco dele. Preciso trabalhar no ponto certo. Abaixei a arma, suavizei meu corpo, cheguei bem perto dele. — O que mudou desde a nossa infância Richard? Você era tão diferente. — Com a mão esquerda acariciei seu peitoral — Pensei que a nossa primeira noite de casados seria... — subi os dedos lentamente pelo seu pescoço até chegar no seu queixo. — No mínimo interessante... Ele soltou o ar pela boca, segurou melhor a minha cintura. Aproximou o rosto, sua respiração tocava meus lábios. Ficamos assim durante vários segundos, bastava um centímetro. Apenas um. Então encostei o cano da Glock no peito dele. — Não estrague a única lembrança boa que tenho de você. — Você esqueceu que é minha esposa? — Não, me lembro a cada maldito segundo. É uma pena que não consigo mais confiar em você e você não confia em mim. Quando eu recuperar minha empresa e você cair em si, poderemos voltar a ter essa conversa. Agora se afasta que estou em horário de trabalho. Segurei as peças pra vestir sem soltar minha arma, mas ele segurou meu pulso. — Eu não disse que era pra vestir. — Disse sim. Só estou cumprindo ordens. — Não, isso foi antes. Agora vamos pra casa. — Ergueu meu vestido de noiva do chão. — Vista. — Você precisa decidir o que quer Richard. Não vai poder ter a funcionária e a mulher ao mesmo tempo. — Vista o vestido. — Repetiu entre dentes. — Não. — Ele olhou para o relógio. — Tem dez segundos. — E se eu não vestir? — Um dos seus soldados perde um dedo. "Merda!" Peguei o vestido. Arrumei a arma pra colocar por baixo, e vi que ele iria me barrar, mas fui mais rápida. — Nem tente. Ou a gente vai descobrir quem morre primeiro. — Ele ficou vermelho, apertando a arma dele. Mas seu celular tocou, e Richard virou as costas abrindo a porta. Acho que consigo lidar com isso. Vamos ver o quanto o senhor Brown consegue aguentar? Mas de repente... Me assustei ao ver meus funcionários do lado de fora. Não muitos, mas pessoas que sempre liderei e enviei pra cá. Todos olharam para mim, Richard caminhou primeiro, sem sequer me olhar e nem atender seu celular, disse: — Apresento a nova assistente da presidência. Todos me reconheceram, mas ninguém teve coragem de dizer uma palavra. Eu sorri. Certo. Se ele queria uma assistente... Ia descobrir como era perigoso contratar Sofia Kim.






