Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 7
Ela ficou envergonhada, mas entrou. — Fique à vontade. Vou me vestir — disse, com a voz baixa, quase um sussurro. Ela se virou para responder, mas não viu ninguém. — Como ele conseguiu andar tão rápido? — murmurou para si mesma. *** No quarto, ele parou diante do espelho. O reflexo envelhecido surgiu lentamente. — Você voltará a envelhecer em poucas horas — disse a imagem, com um tom grave. — Eu sei — respondeu, sem desviar o olhar. — Vou aproveitar esse tempo… com ela. O reflexo assentiu em silêncio e desapareceu. Ele desceu as escadas vestido e a encontrou no corredor, parada diante de alguns retratos antigos próximos à escada. Elena observava cada detalhe com curiosidade. — Minha família era grande — disse ele, aproximando-se. — Ainda bem que você conheceu seu pai — comentou ela, com suavidade. Ele apenas concordou com a cabeça. Houve um breve silêncio, até que Elena o encarou com mais atenção. — Qual é o seu nome? — perguntou. — Vlad… Vlad Darkmoor. Ela franziu levemente o cenho, analisando seu rosto. — Você é igual a ele. Quero dizer… ao senhor Darkmoor. Os olhos dele brilharam por um segundo; um brilho antigo, perigoso e sedutor; antes de um meio sorriso surgir em seus lábios. — Isso não é coincidência, senhorita Lancaster. Ele a conduziu até a sala e perguntou se gostaria de uma bebida. Enquanto preparava algo leve, não muito forte, voltou a observá-la com mais atenção. Elena percebeu o olhar e, ergueu o rosto. Os olhos deles se encontraram e ficaram presos por segundos longos demais para serem inocentes. Ela desviou primeiro, sentindo o rosto esquentar. Um constrangimento profundo a atravessou ao lembrar do desejo que sentiu dias antes… do homem errado. Ou talvez não tão errado assim. E ele era o filho desse homem. Elena se repreendia em silêncio. Parecia que os Darkmoor haviam se tornado seu vício oculto, um perigo do qual ela não conseguia se afastar. Ter visto Vlad nu foi demais para sua mente, uma imagem que insistia em voltar, despertando pensamentos que ela jamais admitiria em voz alta. Ele lhe entregou a bebida e, em seguida, serviu uísque para si mesmo. Ele se encostou no sofá, observando-a com atenção. — Conte-me um pouco sobre você — incentivou, num tom calmo. — Trabalho para o seu pai. Devo dizer que ele parecia… muito satisfeito quando soube que tinha um herdeiro. Vlad inclinou a cabeça em concordância, um meio sorriso surgindo nos lábios. — Também achei. — Deu um gole no uísque. — De um dia para o outro, saí da periferia para… isso tudo. Vlad pegou o controle e ligou uma música suave, que se espalhou pela sala como um sussurro. — Quer dançar? — perguntou, estendendo a mão. Ela hesitou apenas por um segundo antes de aceitar. Assim que se aproximou, foi envolvida por seus braços com uma segurança surpreendente. Ele a conduziu com precisão e leveza, como se cada passo já estivesse gravado em sua memória. Elena o encarou, visivelmente surpresa. — Você dança muito bem… Um leve sorriso surgiu em seus lábios. — Tive aulas de dança de salão desde pequeno. E enquanto se moviam lentamente, Elena teve a estranha sensação de que aquele homem carregava muito mais passado do que aparentava. O perfume dele era discreto, masculino, e a proximidade fazia sua pele arrepiar. O peito de Vlad tocava levemente o dela a cada giro, e o calor que emanava dele não combinava com a noite fresca do lado de fora. — Você está tensa — murmurou perto demais de seu ouvido. A voz baixa, aveludada, fez algo estremecer dentro dela. — Não… só… não danço muito — respondeu, sem convicção. Ele sorriu e ajustou a mão em sua cintura, um gesto sutil, mas íntimo o suficiente para fazê-la prender a respiração. — Confie em mim. Quando Elena fechou os olhos, o mundo pareceu silenciar. O som da música ficou distante por um segundo. O coração bateu forte demais. Forte como se não fosse só dela. Ao abrir os olhos, encontrou o olhar de Vlad fixo no seu. Por um breve instante; as pupilas dele pareceram se dilatar além do possível. Os rostos estavam perigosamente próximos agora. Bastava um movimento em falso para que os lábios se tocassem. Elena engoliu seco, sentindo o coração bater acelerado, consciente demais de onde estava… e de quem a segurava. E, ainda assim, não quis se afastar. Ela sentiu primeiro. O aperto em sua cintura ficou mais firme. Parecia possessivo demais. O calor da mão dele parecia atravessar o tecido do vestido, queimando a pele por baixo. — Vlad… — murmurou, sem saber por que o chamou pelo primeiro nome. Fazer isso foi um erro. Os olhos dele escureceram de vez. A música falhou por um segundo. As luzes oscilaram brevemente. Ele a puxou para mais perto, tão perto que não havia mais espaço para dúvida. O coração de Elena acelerou quando sentiu a respiração dele em seu pescoço. "Afaste-se…" — ele pensou, lutando contra si mesmo. "— Agora." Os lábios de Vlad desceram lentamente até a linha do pescoço dela, sem tocar. Um arrepio violento percorreu a espinha dela. Por um segundo, os dentes dele pressionaram o próprio lábio revelando a ponta de algo afiado demais para ser humano. Ele fechou os olhos com força e a soltou de repente, dando dois passos para trás como se tivesse sido queimado. — Não… — sussurrou, mais para si mesmo do que para ela. — Não assim. Elena levou a mão ao próprio pescoço. — O que foi isso…? — perguntou, trêmula. Vlad virou-se de costas, passando a mão pelos cabelos, respirando fundo. Os músculos de seus ombros estavam rígidos, tensos demais para um simples constrangimento. — Eu sinto muito… — disse por fim. — Ia beijá-la no pescoço. Elena engoliu seco. Ele fechou os olhos por um instante. — Sei que não devo — completou, quase num sussurro. — Não agora. Não com você. Havia arrependimento em suas palavras… mas também tinha desejo. — E se eu dissesse que também quero? Vlad ergueu o olhar lentamente. Os olhos dele brilharam por um instante. — Você não sabe o que diz — respondeu, num tom contido demais para ser calmo. — Nem do que sou capaz quando perco o controle. Ele deu um passo em sua direção e parou, forçando-se a manter distância. — O que você sentiu não foi apenas desejo — continuou. — Foi algo que eu despertei… e que pode não desaparecer depois. Elena manteve-se onde estava. — Mesmo assim… — murmurou. — Não senti medo. Por um segundo, Vlad fechou os olhos. Quando os abriu, havia algo diferente em seu olhar. — É isso que me assusta — confessou. — Você fica… mesmo quando deveria correr. Ele sabia, que se desse mais um passo, não haveria retorno.






