Mundo ficciónIniciar sesiónO silêncio que se instalou na imensidão do escritório da Vance Holding após a expulsão humilhante de Arthur era quase palpável. Maya permanecia imóvel, os dedos ainda levemente trêmulos, embora seus olhos transmitissem uma determinação fria. Ela observou Alexander caminhar de volta até a mesa de mogno maciço, a postura impecável e sem um único fio de cabelo fora do lugar, como se não tivesse acabado de destruir a fusão comercial do ano apenas para protegê-la.
— Você foi... implacável — ela admitiu, a voz ecoando suavemente pelo espaço de teto alto.
Alexander nem sequer ergueu o olhar de imediato. Ele ajeitou os punhos da camisa social sob medida e sentou-se em sua cadeira de couro, exalando a imponência típica de quem dita as regras do mundo.
— Não confunda a defesa do meu patrimônio humano com cavalheirismo, senhorita Rodrigues — rebateu ele, o tom desprovido de qualquer calor. — Eu apenas deixei claro que ninguém dita ordens sob o meu teto. Agora, voltemos ao que realmente importa. O documento está sobre a mesa. Qual é a sua resposta?
Maya deu dois passos à frente. O papel branco parecia uma sentença, mas também o passaporte para a sua total independência. Ela sabia perfeitamente o peso de um casamento por contrato com um homem daquela magnitude. Não haveria espaço para fraquezas.
— Eu assino — declarou ela, segurando a caneta tinteiro com firmeza. — Mas com uma condição. O acordo prevê que eu more na sua cobertura para manter as aparências diante da imprensa e da sua família. Exijo total privacidade. Portas trancadas.
Alexander esboçou um sorriso de canto, gélido e desdenhoso, que fez um arrepio percorrer a espinha de Maya.
— Julga-se tão irresistível a ponto de eu precisar de barreiras físicas para me conter, Maya? — Ele se inclinou para a frente, fixando nela aqueles olhos castanhos enigmáticos. — Fique tranquila. O meu interesse em você é estritamente estratégico. Assine logo. Temos um império para gerenciar e uma farsa para consolidar.
Sem hesitar mais nenhum segundo, ela deslizou a tinta pela folha. O pacto estava selado. Ela agora era, oficialmente, a noiva de Alexander Vance.
Dois dias após a assinatura do contrato, a notícia sobre o noivado repentino do bilionário mais cobiçado de Manhattan explodiu nos tabloides como uma bomba. Maya mal teve tempo de se acostumar com o novo guarda-roupa de grife que recebera antes de ser jogada aos leões. O cenário era o suntuoso baile de caridade anual do setor corporativo, repleto de joias, flashes e olhares repletos de inveja.
Caminhando ao lado de Alexander, ela vestia um longo de seda que abraçava suas curvas com elegância. O toque da mão dele em sua cintura parecia queimar através do tecido, uma encenação perfeita de posse e intimidade.
— Mantenha o queixo erguido e sorria — sussurrou ele, os lábios quase roçando o ouvido dela, mantendo a fachada de casal apaixonado para os fotógrafos. — Seus olhos estão entregando o seu nervosismo.
— Estou tentando não tropeçar nos saltos que o seu estilista escolheu — ela murmurou de volta, mantendo o sorriso congelado no rosto.
Foi quando a multidão se abriu, revelando as duas últimas pessoas que Maya desejava ver na vida: Arthur e Letícia. O ex-noivo ostentava uma expressão de puro rancor, enquanto a ex-melhor amiga exibia um sorriso forçado que não alcançava os olhos.
— Ora, se não é a nova atração de Nova York — desdenhou Arthur, aproximando-se com um copo de uísque na mão. — Parabéns pelo golpe, Maya. Não sabia que o seu profissionalismo incluía aquecer a cama do chefe para subir na vida.
Letícia soltou uma risada afetada, mas parou instantaneamente assim que Alexander deu um passo à frente, bloqueando a visão de Arthur sobre Maya. A aura que emanava do CEO era tão perigosa que alguns convidados ao redor recuaram.
— Miller — a voz de Alexander soou baixa, porém cortante como uma lâmina de gelo. — Eu já avisei uma vez e detesto ser repetitivo. Controle sua língua invejosa ou farei questão de garantir que nenhuma instituição financeira deste país aceite sequer um centavo dos seus investimentos. A porta da rua sempre esteve aberta para você, mas neste evento, sugiro que encontre o seu devido lugar na insignificância antes que eu perca a minha paciência.
O rosto de Arthur empalideceu de imediato sob os olhares de julgamento dos outros empresários. Sem dizer mais nada, ele pegou o braço de Letícia e se retirou às pressas, humilhado publicamente pela segunda vez.







