Mundo ficciónIniciar sesiónA porta pesada de madeira maciça se fechou atrás de Maya com um clique definitivo.
O escritório de Alexander Vance era imenso, decorado em tons de cinza e preto, com paredes de vidro que mostravam toda a extensão de Manhattan. Mas o espaço parecia pequeno demais diante da presença dele.
Alexander caminhou até a sua cadeira de couro preta, sentando-se com a elegância natural de quem comanda um império. Ele não a mandou sentar. Apenas a observou em silêncio por alguns segundos torturantes.
— O mundo é surpreendentemente pequeno, Maya — ele disse finalmente, a voz grave ecoando pelo ambiente silencioso. — Ou talvez você seja apenas muito calculista.
Maya ergueu o queixo, sentindo o sangue ferver. A insinuação disparou seu orgulho.
— Se o senhor está sugerindo que eu sabia quem era o dono da holding, está muito enganado, Sr. Vance. Eu me candidatei a essa vaga de forma legítima, através do RH.
— Eu sei — Alexander respondeu friamente, cruzando as mãos sobre a mesa imaculada. — Eu pessoalmente revisei o seu histórico de contratação antes de você entrar por aquela porta. Suas qualificações são impecáveis. Mas o seu bilhete... o seu bilhete foi um erro.
Maya engoliu em seco. A lembrança daquela noite na cobertura dele passou como um raio por sua mente. O toque das mãos dele, o calor da pele, a intensidade crua com que ele a havia dominado.
— O bilhete foi claro — ela manteve a voz firme, profissional. — Foi uma noite única. Uma fuga. O senhor concordou com isso no bar.
— Eu concordei em passar a noite com você, Maya. Não concordei em ser abandonado às cinco da manhã como se fosse um detalhe insignificante — os olhos cinzentos dele se estreitaram, cortantes. — Ninguém me deixa para trás.
— Bem, sempre há uma primeira vez para tudo — retrucou ela, sem conseguir conter a audácia.
Alexander se levantou lentamente. Ele contornou a mesa, aproximando-se até que Maya pudesse sentir o calor de seu corpo. Ela se recusou a dar um passo para trás.
— Você é corajosa. Gosto disso. Mas agora você trabalha para mim. E na minha empresa, eu dito as regras.
Antes que Maya pudesse responder, o telefone executivo na mesa de Alexander tocou. Ele desviou o olhar dela com visível irritação e atendeu no viva-voz.
— O que é? — ele rosnou.
— Sr. Vance, o representante da nova empresa que o senhor adquiriu na semana passada está aqui embaixo — a voz da secretária da recepção principal soou trêmula. — Um senhor chamado Arthur Miller. Ele insiste que precisa falar com o senhor urgentemente para renegociar os termos da fusão.
O nome atingiu o estômago de Maya como um soco.
Arthur estava ali. No mesmo prédio.
Alexander olhou fixamente para Maya, notando instantaneamente a mudança drástica em sua expressão — a forma como ela empalideceu e como suas mãos começaram a tremer levemente. O CEO era um homem calculista; ele captou o sinal na hora.
— Mande-o subir daqui a dez minutos — Alexander ordenou à secretária e desligou.
Ele deu mais um passo na direção de Maya, sua sombra quase a cobrindo por completo. A frieza arrogante em seu rosto deu lugar a uma curiosidade perigosa.
— Arthur Miller — Alexander pronunciou o nome devagar, testando o peso da reação dela. — A empresa dele estava falindo e eu a comprei por uma fração do valor real ontem à noite. Por que o nome dele faz você parecer que acabou de ver um fantasma, Maya?
Maya respirou fundo, tentando recuperar o controle de suas próprias emoções.
— Ele é o meu ex-noivo — ela confessou, a voz saindo mais baixa, mas carregada de um rancor gélido. — O homem que eu flagrei com a minha melhor amiga na véspera do nosso casamento. O o home que tentou roubar minhas ações.
Alexander permaneceu em silêncio absoluto. Seu rosto não mostrou surpresa, mas os olhos cinzentos brilharam com algo sombrio. Algo possessivo e implacável.
— Entendo — ele murmurou, a voz perigosamente macia. — Então o homem que quebrou o seu paraíso está prestes a entrar no meu escritório para implorar por dinheiro.
Maya olhou para a porta, uma onda de ansiedade a invadindo. Ela não queria ver Arthur. Não queria aquela humilhação no seu primeiro dia de trabalho.
Alexander percebeu o conflito interno dela. Ele caminhou de volta até sua mesa, pegou uma pasta de documentos pretos e a estendeu na direção de Maya.
— Eu tenho uma proposta para você, Maya. Uma que vai resolver o seu problema com o passado e o meu problema com o futuro.
Maya franziu a testa, confusa.
— Que proposta?
— Meus acionistas exigem um CEO casado e estável até o próximo trimestre para aprovar a expansão internacional. Minha ex-namorada está tentando usar o conselho para me forçar a uma aliança política — Alexander disse, sem rodeios ou emoções. — Eu preciso de uma esposa. Uma que seja discreta, competente e que não esteja interessada no meu dinheiro.
Ele bateu o dedo indicador na pasta preta.
— Um ano de casamento por contrato. Em troca, eu garanto que Arthur Miller saia daqui hoje completamente arruinado, sem um único centavo no bolso, e limpo todas as dívidas que ele tentou colocar no nome da sua família.
Maya olhou da pasta para os olhos cinzentos de Alexander. Era uma loucura. Uma reviravolta absurda.
— Você está louco? — ela sussurrou.
— Sou um homem de negócios, Maya. E acabei de te oferecer a vingança perfeita em uma bandeja de prata — Alexander se inclinou para frente. — Você tem exatamente dois minutos para decidir antes que o seu ex passe por aquela porta. O que vai ser?







