Mundo ficciónIniciar sesión
O vestido de noiva pendurado no closet parecia uma piada de mau gosto.
Maya havia passado os últimos anos trabalhando dezesseis horas por dia para ajudar a erguer a empresa de engenharia de Arthur. Eles se casariam amanhã. Pelo menos, era o que ela achava até abrir a porta do escritório dele.
Os sons que saíram de lá de dentro a paralisaram.
Através da fresta da porta, o mundo que Maya construiu desmoronou. Arthur estava contra a mesa de carvalho. A mulher agarrada ao pescoço dele, gemendo seu nome, era Letícia. A madrinha de casamento. A melhor amiga de Maya.
— Ela não vai desconfiar? — Letícia sussurrou, ofegante.
— Maya é ingênua demais — Arthur riu, aquele sorriso que antes confortava Maya agora parecia veneno puro. — Depois que assinarmos os papéis amanhã, as ações dela passam para o meu nome. Ela continua sendo a secretária perfeita enquanto nós aproveitamos o dinheiro.
O estômago de Maya revirou violentamente. Uma náusea fria subiu por sua garganta.
Ela não gritou. Não chorou. A dor aguda se transformou instantaneamente em um ódio gélido e cortante. Pegou o celular, ligou a câmera e empurreu a porta com força.
O estrondo fez os dois darem um pulo, se afastando em pânico.
— O casamento está cancelado, Arthur — a voz de Maya saiu assustadoramente calma. — E a propósito... acabei de deletar o banco de dados do projeto que eu criei. Boa sorte tentando fechar o contrato amanhã.
Virei as costas antes de ouvir as desculpas.
Duas horas depois, Maya estava sentada no balcão do *Obsidian*, um dos bares mais exclusivos de Manhattan. Ela precisava apagar a sensação de ser uma idiota. Virou o terceiro shot de tequila.
— Outra — ordenou ao barman.
— Acho que você já teve o suficiente por hoje, senhorita.
A voz que ecoou ao seu lado não era do barman. Era uma voz grave, profunda, que carregava uma autoridade natural e perigosa.
Maya virou a cabeça lentamente.
O homem ao lado parecia esculpido em mármore escuro. Um terno sob medida perfeitamente alinhado, cabelos negros desalinhados com elegância e olhos de um cinza tão intenso que pareciam tempestade pura. Ele exalava arrogância e uma frieza cortante.
— Eu não me lembro de ter pedido a sua opinião — Maya retrucou, sustentando o olhar analítico dele.
Um pequeno canto dos lábios dele se elevou. Um sorriso perigoso.
— Uma mulher bonita, bebendo sozinha e claramente querendo se destruir — ele avaliou com um tom clínico e distante. — Problemas no paraíso?
— O paraíso pegou fogo — respondeu ela, puxando o novo copo. Olhou fixamente para os lábios bem desenhados do desconhecido. — E agora eu só quero cometer um erro bem grande.
Os olhos cinzentos dele escureceram instantaneamente. A tensão magnética entre os dois estalou no ar, sufocante. Ele se inclinou ligeiramente. O perfume amadeirado e caro dele invadiu os sentidos de Maya.
— Você tem certeza disso, senhorita...?
— Maya. E sim. Eu nunca tive tanta certeza na minha vida.
O homem se levantou, alto e imponente, deixando algumas notas de cem dólares no balcão sem nem olhar. Estendeu a mão grande e calorosa para ela.
— Alexander — ele se apresentou, a voz baixa. — Vamos sair daqui.
Naquela noite, na cobertura dele, Maya se perdeu nos braços de um homem frio que a tomou com uma intensidade avassaladora. Foi uma entrega ardente que apagou cada traço de Arthur da sua mente.
Às cinco da manhã, Maya acordou. Alexander dormia ao seu lado, a expressão séria, um braço pesado protetoramente ao redor da cintura dela.
Cuidadosamente, ela tirou o braço dele. Não queria complicações. Escreveu um bilhete simples na mesa de cabeceira: *"Obrigada pela noite. Não me procure."* Pegou suas coisas e sumi no elevador.
Semanas se passaram.
Maya bloqueou o ex de tudo, mudou de apartamento e usou sua competência para conseguir uma entrevista na *Vance Holding*, o maior conglomerado financeiro da cidade. Era sua chance de recomeço.
Passou nos testes com louvor. A vaga de secretária executiva da diretoria sênior era sua.
Na segunda-feira de manhã, Maya estava no 45º andar, organizando os primeiros arquivos no computador da recepção.
O elevador executivo bipou.
A atmosfera no andar inteiro mudou instantaneamente. O silêncio se tornou absoluto. Todos os funcionários se ergueram em sincronia, alinhando as posturas com medo visível.
— O CEO supremo chegou — a chefe do RH sussurrou ao lado de Maya, trêmula. — Ele acabou de voltar da Europa e assumiu o controle direto. Não faça contato visual, Maya. Ele odeia que o encarem.
Maya manteve os olhos baixos. Passos firmes e pesados ecoaram pelo corredor.
— Bom dia, Sr. Vance — a equipe inteira saudou em uníssono.
Lentamente, ignorando o aviso, Maya levantou a cabeça.
O homem que vinha caminhando cercado por seguranças usava um terno de três peças cinza-escuro. A mandíbula estava rigidamente marcada.
Alexander. O homem da sua noite de impulsividade.
Como se sentisse o olhar chocado, os olhos cinzentos dele cortaram o salão com precisão cirúrgica. Eles travaram nos de Maya.
Alexander parou abruptamente no meio do corredor. O olhar dele desceu pelo corpo dela, reconhecendo cada curva sob a roupa profissional, e depois subiu de volta para o rosto. Não havia calor ali. Apenas uma promessa fria e possessiva.
Ele caminhou lentamente até a mesa dela. O andar inteiro parecia ter prendido a respiração. Alexander apoiou as duas mãos na borda da mesa, inclinando-se.
— Maya — ele pronunciou o nome dela de um jeito que fez as pernas dela tremerem. Os olhos dele brilharam com uma arrogância cortante. — Fico feliz em ver que conseguiu o emprego. Mas acho que você esqueceu de ler as letras miúdas do seu contrato.
Maya engoliu em seco, tentando manter o profissionalismo.
— Sr. Vance... eu não sabia...
— No meu escritório — ele interrompeu, a voz baixa e perigosamente macia, virando as costas. — Agora. Temos muitas regras para discutir.







