Capítulo 3

O silêncio na sala de Alexander Vance era quase sufocante.

Maya sentia o coração bater contra as costelas enquanto encarava o homem diante dela. Faltava menos de um minuto para Arthur passar por aquela porta. A proposta de Alexander ainda pairava no ar como uma corda de salvação perigosa.

— Tic-tac, Maya — Alexander murmurou, a voz fria e compassada acompanhando o ritmo do relógio de parede. — O tempo está acabando.

— Por que eu? — ela perguntou, a voz firme apesar da adrenalina. — Você tem milhares de mulheres à sua disposição. Por que me colocar em um casamento por contrato?

Alexander deu um passo à frente, os olhos cinzentos brilhando com arrogância.

— Porque você é competente, não se j**a aos meus pés por dinheiro e, acima de tudo, porque nós temos um segredo. Um acordo mútuo de discrição. Além disso... — ele olhou para a pasta preta. — Eu sei que você quer ver o Miller cair tanto quanto eu.

Duas batidas firmes na porta interromperam a conversa.

Maya prendeu a respiração.

— Entre — Alexander ordenou, recuando dois passos para se encostar na borda da mesa, cruzando os braços com total indiferença.

A porta se abriu e Arthur Miller passou por ela. Ele vestia um terno azul escuro, o mesmo que usava quando Maya o flagrou com Letícia. Ele parecia tenso, com olheiras profundas, mas tentava manter uma postura de homem de negócios importante.

No instante em que ele deu o terceiro passo para dentro da sala, seus olhos focaram em Maya.

Arthur travou. A boca dele se abriu em choque total, e a pasta de couro que carregava quase escorregou de suas mãos.

— Maya? — ele gaguejou, o rosto empalidecendo. — O que... o que você está fazendo aqui?

Maya não respondeu. Ela manteve o queixo erguido, sustentando o olhar do ex-noivo com um desprezo gélido que aprendeu a moldar nas últimas semanas.

— Ela trabalha para mim, Miller — a voz de Alexander cortou o ar como uma lâmina. O tom era macio, mas carregava uma ameaça implícita que fez Arthur engolir em seco. — E eu prefiro que meus funcionários não sejam interrompidos por perguntas pessoais de terceiros. Sentar.

Arthur piscou, confuso e claramente intimidado pela presença massiva do CEO supremo. Ele caminhou até uma das cadeiras de couro diante da mesa, olhando de relance para Maya como se tentasse entender a situação.

— Sr. Vance... eu não sabia que a minha ex-noiva estava envolvida na holding — Arthur tentou limpar a garganta, forçando um sorriso falso. — Maya e eu tivemos um... mal-entendido recente. Ela agiu por impulso e destruiu alguns dados da minha empresa, o que complicou a nossa transição para a fusão com o seu grupo. Eu esperava que o senhor pudesse intervir.

Alexander soltou uma risada curta. Um som sem qualquer vestígio de humor.

Ele se levantou e caminhou até a cadeira presidencial, sentando-se lentamente.

— Você veio à minha sala pedir para eu punir a minha funcionária por um problema que você causou, Miller? — Alexander abriu a pasta de documentos com um estalo seco. — Eu revisei os relatórios. A quebra de contrato do projeto de engenharia não foi culpa dela. Foi incompetência sua.

— Sr. Vance, por favor...

— A fusão está cancelada — Alexander interrompeu, sem erguer a voz, mas com uma autoridade absoluta. — E mais: a Vance Holding está executando as garantias das dívidas que a sua empresa acumulou no último mês. Você tem vinte e quatro horas para declarar falência, Arthur.

Arthur levantou-se de um salto, o pânico distorcendo suas feições.

— O senhor não pode fazer isso! Isso destrói a minha família! Maya, fale com ele! — ele deu um passo na direção dela, desesperado. — Você sabe o quanto lutamos por aquela empresa! Você não pode deixar esse homem fazer isso por causa de uma briga de casal!

Antes que Arthur pudesse se aproximar de Maya, Alexander se ergueu.

O movimento foi tão rápido e imponente que Arthur recuou imediatamente. A frieza nos olhos cinzentos do CEO era assustadora.

— Dê mais um passo na direção dela e eu garanto que você saia daqui algemado, Miller — Alexander sibilou, a voz perigosamente baixa. Ele estendeu a mão para o lado, sem desviar os olhos de Arthur. — Maya, a caneta.

Maya, que assistia a tudo com o sangue correndo rápido nas veias, entendeu o sinal na hora. Ela pegou a caneta de metal pesado sobre a mesa e a entregou na mão dele. Seus dedos se tocaram por um segundo, e o calor da pele de Alexander deu a ela a certeza que faltava.

Alexander assinou o documento de execução de dívida com traços rápidos e firmes. Depois, olhou para Arthur com um sorriso de puro escárnio.

— Segurança — Alexander falou no interfone. — Retirem o Sr. Miller do meu prédio. E garantam que o nome dele seja banido da portaria.

Dois homens uniformizados e corpulentos entraram na sala quase instantaneamente, segurando Arthur pelos braços.

— Maya! Você vai se arrepender disso! — Arthur gritava enquanto era arrastado pelo corredor, a voz ecoando pelo andar corporativo. — Você não é nada para ele! É só uma secretária!

A porta se fechou novamente, trazendo de volta o silêncio pesado.

Maya soltou o ar que nem sabia que estava prendendo. Ela olhou para Alexander, sentindo uma mistura de alívio e temor. Ele realmente havia destruído o homem que a humilhou em menos de cinco minutos.

Alexander guardou a caneta no bolso do paletó e fixou o olhar nela.

— O primeiro passo está dado, Maya — ele disse, caminhando até ela com passos lentos e predatórios. — Eu cumpri a minha parte da proposta antes mesmo de você assinar.

Ele parou a poucos centímetros dela, forçando-a a olhar para cima.

— Agora, eu quero a minha resposta. Você aceita as minhas regras?

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