Era uma tarde de sábado ensolarada nos Jardins, o tipo de dia em que São Paulo parece perdoar todos os seus pecados: céu azul sem nuvens, brisa leve, árvores balançando nas calçadas largas. Elisa havia decidido sair do apartamento pela primeira vez em quase uma semana. Passara dias inteira trancada, alternando entre e-mails de trabalho que respondia no piloto automático, mensagens de Henri sobre documentos franceses que chegavam gota a gota e uma saudade de Gael que latejava como dente infeccionado. O orgulho, porém, era mais forte que a dor: ela não ligaria. Não cederia primeiro.
Vestiu o uniforme da anonimato: jeans velho, blusa branca básica, tênis All Star surrados, cabelo preso num rabo de cavalo baixo. Nada da armadura de CEO — saltos, blazer estruturado, olhar que fazia subordinados engolirem em seco. Hoje ela queria ser só Elisa, a menina que chegara em São Paulo com uma mala e muita teimosia.
Caminhou sem rumo até sentir o cheiro de café invadindo a Rua Haddock Lobo. Entrou n