CAP. 86 - Sou uma mercadoria estragada.
O abraço da Isadora em casa foi a única coisa que me impediu de desmoronar totalmente. Passamos o dia de sábado juntas, comendo sorvete e assistindo a filmes tristes, tentando fingir que o mundo lá fora não tinha desabado.
— Você não precisa ir para o clube hoje, Clara. O Imperador vai entender inventa alguma coisa para ele — Isadora disse, segurando minha mão.
— Não. Eu vou.
Eu precisava ir. Precisava da Mel para sufocar a Clarinha.
Mais tarde no clube diante do espelho enorme no banheiro, minhas mãos não paravam de tremer enquanto eu tentava passar o batom vermelho. Olhei para o reflexo no espelho do camarim e não vi a Mel, a mulher fatal que o Imperador desejava. Vi a menina que apanhava em silêncio. A menina que ouviu a mãe gritar até a morte no quarto ao lado.
A voz dele no telefone ainda ecoava: "Clarinha...".
Eu precisava que o Imperador me amarrasse, que me dominasse, que me fizesse esquecer que eu tinha um nome ou um passado. Eu queria o peso das mãos dele para apagar o fanta