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Capítulo 3 - O senhor estava ocupado demais flertando com garçonetes!

POV Emília

Eu levei alguns segundos a mais do que o necessário para preparar o cappuccino. Não porque fosse difícil. Mas porque minhas mãos tremiam.

Atrás do balcão, Isla me lançou um olhar curioso.

— Quem é o gostosão da mesa três? — murmurou, inclinando-se para ver melhor. — Ele parece… perigoso.

Perigoso.

Se ela soubesse.

— Cliente — respondi curto. — Só isso.

Mas quando voltei com a bandeja, vi que o universo não pretendia me dar trégua.

Ele não estava mais olhando para mim. Estava olhando para Fiona, uma das garçonetes do turno da manhã. Ruiva, sorridente, do tipo que nunca parece cansada. Ela estava inclinada demais sobre a mesa dele. Rindo.

Rindo.

— Então você trabalha aqui todos os dias? — ele perguntou, a voz baixa, perfeitamente audível. — Deve ser cansativo… ser tão bonita logo cedo.

Meu estômago afundou.

Fiona corou.

Claro que corou.

— Ah, depende do cliente — ela respondeu, jogando o cabelo para trás.

Thomas observava a cena com tédio infantil, enquanto Téo permanecia quieto, agora sentado, balançando os pés, distante.

Eu coloquei o cappuccino na mesa com um pouco mais de força do que o necessário.

— Aqui está — anunciei, profissional demais.

Ele ergueu o olhar devagar. Os olhos verdes me encontraram. E, maldito, ele sorriu.

— Obrigado — disse, educado demais. — Você é sempre tão… eficiente?

Eu respirei fundo.

— É parte do trabalho.

— Imagino — ele respondeu, e então, sem tirar os olhos de mim, completou, alto o suficiente para Fiona ouvir:

— Algumas pessoas têm talento natural para servir. Outras… só sabem provocar.

Fiona riu de novo.

Eu quase quebrei uma xícara.

— Papai — Thomas interrompeu, alheio à tensão — posso pegar o garfo rosa?

— Pode — ele respondeu distraído, ainda me olhando. — Mas não incomode as moças.

Moças. No plural.

Eu me virei para sair, mas ouvi Fiona perguntar:

— Você vem sempre aqui?

— Não — ele respondeu. — Mas talvez eu passe a vir. Gosto de lugares… animados.

Animados.

Claro.

Atrás do balcão, meu peito subia e descia rápido demais. Aquilo não era ciúme. Eu me recusei a chamar de ciúme. Era repulsa. Só isso. Repulsa por homens que não conseguem manter a boca fechada ou o ego sob controle.

Então veio a segunda facada.

O homem chamou outra garçonete, Mary, mais nova, tímida.

— Com licença — ele disse, com aquele tom educado e perigoso — você poderia me trazer mais açúcar? Acho que gosto das coisas… bem doces.

Mary quase tropeçou.

— C-claro.

Eu fechei os olhos por um segundo.

Era deliberado.

Ele fazia questão de que eu visse.

Quando voltei a olhar para a mesa, foi quando percebi.

Thomas não estava mais ali.

Meu coração deu um salto violento.

Eu varri o ambiente com os olhos. Banheiro. Porta. Balcão. Nada.

— Cadê o outro menino? — perguntei, a voz saindo mais alta do que eu pretendia.

Ele franziu o cenho, finalmente distraído do jogo.

— Thomas? — Ele olhou ao redor. — Thomas?

Não.

Não era Thomas.

— O outro — eu corrigi, já andando. — O Téo.

Algo mudou no rosto dele. Um alerta imediato.

— Ele estava aqui.

— Não está mais.

O silêncio durou menos de um segundo.

Ee se levantou bruscamente, derrubando a cadeira.

— Téo!

Foi quando eu o vi.

Na calçada.

Pequeno.

Sozinho.

A dois passos da rua.

Uma moto vinha rápido demais.

O mundo perdeu o som.

Eu larguei tudo e corri.

— Téo! — gritei.

Não pensei. Não medi. Só corri.

Segurei o menino pelo casaco e o puxei com força para trás no exato segundo em que a moto passou, o vento quase nos derrubando.

Eu caí sentada no chão com ele no colo.

Meu coração parecia querer sair pela boca.

— Ei… — murmurei, apertando-o — tá tudo bem… tá tudo bem…

O Pai apareceu segundos depois. Pálido. Desesperado. A máscara completamente destruída.

— Meu Deus… — Ele se ajoelhou na minha frente, as mãos tremendo enquanto tocava o filho. — Téo… você está bem?

O menino assentiu.

Então, ainda agarrado ao meu casaco, ele murmurou, quase inaudível:

— Obrigado…

Uma palavra.

Uma única palavra.

O mundo parou.

O pai congelou.

Os olhos dele se encheram de algo que não era arrogância, nem desejo, nem provocação. Era puro choque. Dor antiga rasgando de novo.

— Você… — a voz dele falhou — você falou…

Eu senti a garganta fechar.

— Ele só estava com medo — respondi, baixinho.

O homem me encarou como se eu tivesse acabado de fazer um milagre. Ou cometido um pecado irreversível.

Ele puxou o filho para perto, respirando fundo, tentando se recompor.

Quando se levantou, a postura arrogante estava de volta, mas algo tinha rachado.

— Isso não teria acontecido — ele disse, seco — se você estivesse prestando atenção no seu trabalho.

A frase me atingiu como um tapa.

— Desculpa? — eu me levantei também, furiosa. — Ele quase foi atropelado porque o senhor estava ocupado demais flertando com garçonetes!

O café inteiro ficou em silêncio.

Ele se aproximou um passo.

— Não se atreva a me dizer como cuidar dos meus filhos.

— Então cuide — eu cuspi. — Porque da próxima vez, talvez não dê tempo.

Os olhos verdes queimaram.

Mas por trás da raiva… havia culpa.

E medo.

E algo que me fez entender, com uma clareza dolorosa:

aquele homem não era apenas perigoso para mim.

Ele era perigoso porque não sabia onde parava o desejo e começava a responsabilidade.

E, ainda assim…

meu coração traidor batia rápido demais perto dele.

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